domingo, 31 de julho de 2016

a viabilidade do metrô da linha 4

Pesquisando informações referentes ao Metrô da Linha 4, cheguei no seguinte:

Custo Total da Obra: R$ 9,7 bilhões
Quantidade de Passageiros Transportados por dia: 300 mil

Hipótese 1: Considerando que a passagem do Metro seja de R$ 4,00 e não tenha custo operacional
Considerando que seriam 300.000 pessoas (sem considerar gratuidade), o metrô, por dia, arrecadaria:
Por dia: R$ 1,2 milhões
Por mês: R$ 36 milhões (considerando o mês com 30 dias)
Por ano: R$ 432 milhões (considerando o ano com 12 meses de 30 dias)

Tempo para retornar o investimento da Obra: 20,83 anos

Hipótese 2: Considerando que a passagem do Metro seja de R$ 4,00 e que somente 20% do preço da passagem retorne em lucro (80% para cobrir despesas operacionais)

Considerando que seriam 300.000 pessoas (sem considerar gratuidade), o metrô, por dia, lucraria:
Por dia: R$ 240.000
Por mês: R$ 7,2 milhões (considerando o mês com 30 dias)
Por ano: R$ 86,4 milhões (considerando o ano com 12 meses de 30 dias)

Tempo para retornar o investimento da Obra: 104,17 anos

O tempo de retorno do investimento superior 30 anos é considerado inviável para qualquer banco ou fundo de pensão. A obra do metrô da linha 4 deveria ter custado inicialmente cerca de R$ 5 bilhões (e ainda assim seria inviável tecnicamente, pois levaria mais de 50 anos para o retorno do investimento).

Vale o estudo, tirem suas conclusões....

quarta-feira, 27 de julho de 2016

malacanotas 2


malacanews de julho

Salve galera!
Estamos aqui mais uma vez com nossas malacanotas enquanto preparamos o texto maior de sempre e que deve ficar pro mês que vem.
Assuntos diversos, pontos-de-vista variados, fatos ocorridos no mês, etc. A eles.


Rezando a gente se entende

Ficamos sabendo que as religiões afrobrasileiras e o espiritismo não terão um representante no Centro Interreligioso montado na Vila Olímpica, a fim de atender atletas que participarão do evento.
De acordo com o Comitê Rio-16, a escolha das cinco religiões "oficiais" (cristianismo, islamismo, judaísmo, budismo e hinduísmo) se baseou em "resultados históricos de pesquisas feitas pelo Comitê Olímpico Internacional: essas seriam as doutrinas indicadas pela maioria dos atletas".
Entretanto, lideranças espíritas, umbandistas e candomblecistas refutam tal justificativa, alegando que esse era o exato momento em que se deveria haver a visibilidade desses credos, com o objetivo de se enfrentar a grave questão da intolerância religiosa, especialmente porque sabe-se que muitos não professam ou assumem sua fé justamente por temer o olhar preconceituoso dos demais. Ainda mais em se tratando de religiões que são "bem brasileiras" e que estão em constante perseguição por conta de suas práticas "não condizentes" com a normatividade religiosa estabelecida no Brasil.
Durante muitos anos, nos questionamos sobre o porquê de determinadas religiões serem perseguidas e outras nem tanto. Tudo que diz respeito aos três grandes troncos monoteístas gera polêmica, já notaram? E o curioso é que, embora vistos com reservas e parcimônia, outras religiões politeístas, panteístas, etc. já não tem tanta encheção de saco. Talvez pelo fato de que não tem uma representatividade comparável às demais. Ainda assim, é importante observar que não há coincidência alguma quando analisamos também os fenótipos. E que essa "condescendência" em torno de determinadas matizes gera (propositalmente, a nosso ver) essa confusão que estabelece os ódios.
Esses apontamentos explicam em parte por que as religiões do oriente asiático e parte do sudeste asiático (chamada de "orientais") não promovem tanta grita, tanta ojeriza, e em determinados casos, servem até mesmo para corroborar pensamentos de religiões do sudoeste asiático (as ditas mais "ocidentais"), justamente onde os três troncos que mencionamos fincaram suas bases. Tais ramificações religiosas não se constituem como "ameaças ao monoteísmo vigente", antes as "corroboram".
(O curioso é que a filosofia religiosa que conhecemos como "oriental" é anterior às noções de monoteísmo que temos, por exemplo, então em verdade as outras formas de teísmo é que devem ser vistas como "corroborações" – se é que isso seja realmente necessário.)
De qualquer modo, mesmo que pensemos dessa forma, ou seja, que cristianismo, judaísmo e islamismo têm suas estruturas firmes no Oriente Médio (obviamente não é o caso do hinduísmo e do budismo), costumamos dizer que a raiva dessa galerinha preconceituosa e discriminatória (justamente a que "banca" esse tipo de bloqueio a religiões como o comitê fez) é que por mais que se escamoteie seja como for, nunca se retirará da África o local onde essa criança nasceu.
Sim, é fato: se há um laço comum entre esses três pilares do monoteísmo (e podem falsificar a certidão de nascimento à vontade) é que a raiz de tudo que se aprende e lê nos livros considerados sagrados é africanaInegavelmente. E não tem normatividade eurocêntrica e helenista que mude isto.


Um herói improvável?

Na semana retrasada, um fragmento de reportagem nos chamou a atenção para algo que nos faz crer que nem tudo está perdido no mundo da bola. E ao mesmo tempo nos marcou profundamente tanto quanto qualquer golaço de placa ou defesa antológica.
Passando pelos portais de Internet, chegamos ao Esporte Interativo, onde uma criança chorava copiosamente. Era um menino de prováveis 9 anos, português. Ele estava visivelmente transtornado, indignado, porque não tinha conseguido ver de perto seu ídolo que joga na seleção portuguesa. Lembrando que Portugal tinha acabado de conquistar a Eurocopa em cima da anfitriã França.
Ficamos impressionadíssimos com aquele rosto desfigurado por tanta lágrima e tristeza raivosa. Foi muito chocante. Perguntado sobre por que estava naquele estado, ele respondeu de forma dramática: "Porque o Éder foi-se embora e eu tava aqui horas esperando... (...) Era meu jogador favorito, agora não é mais..." O repórter realçou o fato de que o atacante havia sido o herói do jogo ao fazer o gol da vitória, porém o jovem adepto sem meias-palavras disse que "isso não importava mais", já que queria ver o jogador naquele momento.
Sobre por que era fã de Éder (o repórter não teve muito tato ao perguntar isto a nosso ver), o garoto respondeu como qualquer criança responderia: "Eu sou fã dele, fã, eu não sei... Ele é meu herói!" E finalmente, como sempre pode piorar, o infeliz do repórter espezinha a dor da criança ao supor em forma de pergunta que o próprio jogador era culpado pelo que aconteceu. Resposta imediata: "Ó pá, eu não sei, mas eu estava aqui pra tirar fotos o dia inteiro, (...) e assinar um papel para milhares de pessoas... Isso é ridículo...". Cortaram aí a transmissão.
Bem, tivemos de rever esse lance pra poder entender melhor o que de fato estava acontecendo. E o que encontramos foi um vídeo no YouTube. Era na verdade um vídeo replicado pelo EI, a reportagem era do Correio da Manhã, um jornalístico português dos mais polêmicos por lá, pelo que entendemos (teria sido deles o microfone que Cristiano Ronaldo, um dos mais perseguidos negativamente por eles, arremessara pra longe). Éder estava ali pelo local, mas o repórter dava a entender que ele não teria atendido a todos no local (como se tivesse chegado, ficado dez segundos e ido embora). Havia um homem xingando horrores, cheio de raiva, certamente o pai do menino. Atitude considerada lamentável pelo pessoal do EI, pois esse cidadão, em vez de tentar atenuar a dor da criança, ficou desfilando impropérios, aumentando ainda mais o inconformismo do garoto. Tão desastroso quanto o repórter, sem nenhum tato pra lidar com o sofrimento do petiz, que só queria um minuto com seu grande herói.
Então, vamos por partes.
O mencionado Éder foi o autor do gol que deu a inédita Eurocopa a Portugal. Porém não foi tão simples. CR7 saiu de campo, substituído por lesão logo no início, mas quem entrou foi Ricardo Quaresma. Ou seja, nem opção direta Éder era. Este só pôs os pés no gramado no segundo tempo. E na prorrogação, ele se consagrou.
Nascido em Guiné-Bissau, o atacante de 28 anos joga no Lille, time francês (que ironia do destino...), e nunca foi um jogador de muito destaque ou mídia, se comparado a outros futebolistas não só na própria França, mas também numa conjuntura de futebol português. Ao contrário, estava sendo alvo de críticas pesadas entre os patrícios. E eis que ele "se redime" com o gol histórico. É natural que após algo assim um jogador fique conhecido e ganhe muita visibilidade.
Porém talvez não fosse assim para aquele menino. Pois pelo que entendemos, ele não é apenas fã por causa daquele gol e sim porque acompanha Éder de perto. A forma como ele falou do camisa 9 luso foi muito forte. Imaginamos ele acompanhando os jogos do Lille pelo campeonato francês e também vendo seu selecionado em campo, certamente torcendo para que o atacante jogasse, e a felicidade em vê-lo em campo justamente naquela final. Julgamos impossível mensurar o êxtase de ver seu ídolo anotar no placar o tento que entrou pra história.
O mundo do futebol realmente é capaz de coisas fascinantes. São fatos como os narrados que nos fazem ter a certeza de que é preciso que se tenha um olhar melhor para o futebol como um todo. Costumamos escrever muito sobre o que acontece no Brasil, mas quando tomamos conhecimento do que rola mundo afora, temos a certeza de que essa paixão pelo esporte bretão não conhece nacionalidades. Atinge a todos da mesma maneira.
Quem poderia imaginar que entre tantas crianças que acompanham futebol estivesse ali alguém que demonstrasse tanto carinho por um jogador praticamente desconhecido? Pois se fosse a estrela da companhia não seria nada espantoso, ou se fosse pelo menos futebolistas como Quaresma, João MoutinhoNani, que são mais conhecidos... E, no entanto, Éder, pra além da façanha, é o preferido daquele lacrimejante e anônimo menino! Que loucura, não? Pois bem, essa é a loucura que move uma paixão chamada futebol. Paixão que infelizmente tem sido vilipendiada pelo mundo dos negócios que conhece muito a grana, mas não sabe o que é linha de fundo. E nem procura saber...
E assim, finalizamos esse texto esperando que Éder tenha tomado conhecimento desse fato e que possam promover um encontro dele com seu fã-mirim para que este deixe a revolta de lado e se emocione em estar diante daquele que pode ter sido um herói improvável para o mundo inteiro, mas que pra ele será sempre eterno.

  
Docentes decentes

Já tinha um tempo que queríamos falar sobre a greve dos professores da rede estadual do Rio de Janeiro, mas não nos sentíamos capazes de dissertar mais à vontade, embora tenhamos recebido centenas de informes durantes esses cinco meses de paralisação, todos diretamente de amigos professores. O lance é que nós desejávamos ter ido a uma dessas inúmeras assembléias da categoria a fim de termos a noção exata do clima in loco, o que infelizmente não foi possível por questões particulares. Ainda assim, gostaríamos de redigir umas linhas sobre o fato, a fim de não passar totalmente em branco (embora tenhamos tocado no assunto em outras malacas com citações transviadas, como aconteceu no ensaio do mês passado).
Soubemos pelos amigos de sempre da decisão em plenária de uma pausa na greve. A votação foi apertada: Suspensão: 792; Continuação: 503; Abstenção: 38. A quadra da escola de samba São Clemente foi o palco da maioria das assembléias do corpo docente estadual e mais uma vez ontem foi debatida a questão do prolongamento da manifestação em prol de melhores condições de ensino e trabalho. Comentava-se "à boca pequena" que a tendência era isto acontecer, uma vez que o desgoverno estadual já tinha jogado muito duro contra a moçada, com os cortes e outras admoestações advindas desta postura dos professores, e que muitos já sinalizavam voltar às atividades por motivos diversos, fora o desgaste natural pelo tempo transcorrido.
Ainda que não tenha sido "a maior paralisação de todas" (alguns mais antigos se recordam de algo similar no desgoverno Moreira Franco), sem sombra de dúvidas há anos não se promovia um ato como este, que ao mesmo tempo em que foi extenso teve adesão firme da categoria. Observem que a própria decisão foi bastante "equilibrada" (cerca de 59% quis suspender a greve) e tal número nos mostra que os professores em geral não se dobraram facilmente em relação a recuos. Segundo alguns amigos, "se em termos financeiros não houve muitos avanços, em termos acadêmicos as coisas deram uma melhorada, o que é um grande alento para muitos".
Sempre recebemos informes da galera e muitos depoimentos. E para nós, o símbolo de tudo que se passou com a categoria docente foi uma carta duma professora que aderiu ao movimento, numa franca resposta àqueles que não estavam conseguindo segurar a marimba e principalmente aos que, de forma inacreditável, criam que tudo aquilo era "pura perda de tempo". Além, claro, da infame e sempre presente pelegada.
Ela conta que estava passando por diversas dificuldades: óbito na família depois de muita luta no tratamento do enfermo; falta de condições financeiras em casa, já se refletindo nos estudos da filha; a própria saúde muito fragilizada; e poucas esperanças num aceno positivo por parte do desgoverno. Ainda assim, ela se mantinha lá firme e forte, estimulando novas adesões, esfregando na cara da pelegada que era mais fácil pensar no próprio umbigo, e apelando para que os colegas não desistissem tão facilmente da trincheira.
E o mais impressionante nessa carta era o tom de entrega que não deixava dúvidas: se fosse o caso de morrer ali, junto com os colegas, que assim fosse, pois pelo menos ela estava entregando sua vida a uma causa justa. Ela entendia perfeitamente o fato de que muitos ali, marinheiros de primeira viagem (ou professores de primeira aula...) não estavam habituados a fazer greve ou de passar tanto tempo numa. E justamente por isso ela se sentia na "obrigação" de fazer esse trabalho de formiguinha junto aos colegas para que o foco não fosse perdido.
O impacto das palavras daquela professora (cujo nome agora infelizmente não nos recordamos, apagamos acidentalmente o texto de nosso celular) nos sensibilizou sobremaneira. A ponto de termos espalhado tal testemunho em nossos grupos de zazap. Fazia tempo que não líamos algo tão contundente e humano em termos de conscientização. E não se tratava de corrente de Internet: a professora existe, tem nome e sobrenome, confirmou cada palavra, e é tão real quanto tantos e tantos outros profissionais da educação que têm de ter mais de uma matrícula e fazer das tripas coração para sobreviver e formar seres humanos que podem vir a ser professores também.
E a mais dramática de todas essas constatações é que toda essa luta teve outros componentes como a propaganda difamatória em cima da categoria feita pelo maldito PIG, estimulando o descrédito e a desmoralização da categoria perante a população. Parte dela bovinamente acreditou nos telejornais e portais da globbels e se prestou a papéis realmente asquerosos, como aplaudir o Estado transformar policiais em jagunços para acabar com os atos.
A própria questão da ocupação das escolas pelos alunos, em concomitância com a greve e com endosso a esta, também foi tratada de uma forma tão biltre, mesquinha e pequena (e novamente com PAIS DE ALUNOS aplaudindo a polícia fazendo papel de capitão-do-mato pra cima dos discentes!!!), que nem vale a pena comentar mais...
E sem contar também com a omissão ainda mais lamentável dos demais colegas servidores do Estado, muitos tão humilhados quanto os professores. Nem mesmo por solidariedade estatutária foram capazes de um gesto de apoio ainda que velado. Ao contrário, endossaram as atitudes perniciosas do mesmo desgoverno que só não passou o cerol fino em geral porque esses mesmos setores são praticamente "imexíveis". Setores estes que de forma extremamente cômoda, em sua zona de total conforto, fecharam os olhos para a dura realidade do funcionalismo público como se não corressem riscos. Coitados, o tempo mostrou que estão na mesma canoa furada, masssssss... deixemos esses tolos pra lá, voltemos a quem merece nosso respeito.
Por conta de tudo isso, apesar de tudo que se passou, queremos aqui parabenizar e aplaudir de pé com todo louvor professoras e professores que se dispuseram a lutar pelos seus direitos com toda bravura e dignidade, contra tudo e contra todos:

1.     Enfrentando, confrontando e afrontando o status quo vigente e amaldiçoado, em prol de sua própria sobrevivência, já que não trabalham de graça como voluntários, tem contas a pagar e lazer pra abstrair a mente como qualquer trabalhador (lembremo-nos que "a gente não quer só comida");
2.     Tentando conscientizar a população de que não são inimigos e sim que o inimigo é outro (os alunos das ocupações entenderam isto com muita facilidade), e assim mostrar a toda a uma coletividade de que são as verdadeiras e inequívocas vítimas desse sistema perverso porque desigual a quem são submetidos todos os anos;
3.     E, na medida do possível, calando a voz pelega, amiga do desgoverno, inimiga da categoria, pessoas sem nenhum tipo de comprometimento nem mesmo consigo próprio, quanto mais com a educação, já tão vilipendiada com tantas decisões absurdas e ameaças tão graves quanto a do tal projétil "escola sem partido". Sim, um projétil, porque foi feito para ser lançado como uma bala de fuzil no quase moribundo ensino público, para matá-lo de vez.

Aos nossos mestres, educadores e demais profissionais de educação o nosso saravá!!!

E pra fechar...

EM TEMPO!!! Pois entendedores entenderão:
Só aceita arrego quem é pelego; e quem é pelego jamais poderá ter sossego!!!

Salam'maleik, moçada!!!

sábado, 18 de junho de 2016

rio, estado-desespero

perto deles, malandragem tem dó  

Sexta-feira,18 de junho de 2016.
Primeira notícia da manhã não poderia ter sido mais bombástica: o estado do Rio de Janeiro mudou de nome, passando a se chamar "estado de calamidade pública". A princípio pensamos se tratar de matéria fake, mal redigida ou tendenciosa. Porém consultamos todos os portais e o Diário Oficial e constatamos: sim, chegaram a esse ponto.
Pior, porém, foi a justificativa (sim, sempre pode piorar): a grande preocupação do governador biônico é que está difícil de o Rio "honrar seus compromissos para a realização da Olimpíada de 2016".
Entenderam? Não? Nem nós! Ou melhor, achamos ter entendido... Vamos lá!
Só pra ficar na educação: Milhares de estudantes sem aula, centenas de professores sem salário, e não ter dinheiro pra Olimpíada é o que tira o sono?!?!?!?
Acalmem-se, leitores, vai piorar! Porque sempre se dá ouvidos a quem menos tem a dizer...
Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da Fundação Getúlio Vargas, disse que "a declaração de estado de calamidade pública no âmbito da administração financeira é uma medida exemplar e corajosa que permite trazer à tona a dificílima realidade fiscal do Estado do Rio de Janeiro.
Corajosa e EXEMPLAR. E-XEM-PLAR!!!
Mas pensando bem... que atitude eivada de exemplo e nobreza essa do nosso queridíssimo governador! Afinal de contas, ele nos dá uma aula de como reinar no caos: arrebenta-se com as contas, deixa-se o funcionalismo público em estado caótico e depois é só decretar a tal calamidade, pois aí fica claro que não tem como cobrar coisa alguma do governo estadual. Que beleza, que orgulho do governador!!!
Só que não, Francisco Dornelles.
Calamidade é ignorar os professores e ter insônia por causa da tocha olímpica.
Calamidade é transformar policiais em jagunços para baterem em estudantes de escolas ocupadas.
Calamidade é hospital estadual se municipalizando pra não fechar de vez.
Calamidade é esse desgoverno que nem se pode dizer que "é do diabo" porque até o "Príncipe das Trevas" trata bem seus comandados...
O Estado do Rio de Janeiro nunca será uma calamidade. Será sempre o Estado do Rio de Janeiro. O duro é vê-lo definhando a cada dia, porém o que nos anima é saber que o Estado ainda é maior que todos os inimigos do Estado. Muito maior, diríamos!
Estamos furiosos até a tampa! Mas pela terceira vez afirmamos: sempre pode piorar. Afinal de contas, as panelas continuam em silêncio. Silêncio substituído pelo "Ah, mas ela..." em favor do estupro e pelo "nada contra os gays, mas..." em defesa do extermínio do LGBT. E agora também implacavelmente caladas pela "coragem e exemplo" do decreto de calamidade pública contra o Rio de Janeiro.
E ainda tem gente que consegue ser calhorda sem piedade. Não faltarão comentários em todos os portais apontando certos culpados... Como é difícil se libertar da toupeirice, não é mesmo seus trouxas?!?
Sem mais.


terça-feira, 14 de junho de 2016

malacanotas 1

Malacanews de junho

Fala galera!
A malacanews desse mês será "à moda antiga": diversos assuntos que visam gerar diversos debates. Como sempre, fiquem à vontade para opinar e espalhem aos quatro ventos nosso artigo. Aos fatos!

Leifertização? Não, muito obrigado

Assistimos ao jogo Atlético-GO 2 x 1 Vasco, transmitido pela TV Brasil. Mais que comentar sobre o fim da invencibilidade do clube da Colina, gostaríamos de chamar atenção para um aspecto bastante revelador no que tange ao modo de se transmitir um evento.
Antes da partida, ficamos conjecturando sobre se seria possível uma transmissão que fosse o oposto do galvobuenismo (sinônimo de pachequismo, versão esportiva da síndrome de viralata). Pois eis que a transmissão esportiva da TV Brasil foi algo bacana, sóbria e bem-humorada, totalmente isenta da maldita leifertização vigente que querem empurrar goela adentro da nova geração de profissionais do jornalismo esportivo. Pois a globbels, que adora uma padronização sempre daninha, cismou que aquele bobo alegre deve ser a tônica de sua programação e isto em toda a sua grade.
Se vocês observarem com um olhar bem crítico, perceberão a pobreza vigente em termos de apresentações na TV. Parece que mesmo alguns que tinham uma linha sóbria resolveram aderir a essa bobagem de interagir com o público dessa forma caricata, como se isso fosse sinônimo de se aproximar mais do público com uma linguagem próxima. Quanto engano em se pensar dessa forma!
Nossa linha crítica se fortalece quando lembramos de Serginho Groisman. Desde os tempos de Programa Livre observamos uma forma extremamente despojada de se apresentar um programa, totalmente compatível com seu público, em geral adolescente e jovem. Ele conseguia atrair a atenção de todos sem recorrer a fanfarronices tolas. Se era para tomar alguém como exemplo, por que não ele?
Entretanto, o que vemos hoje (e Groisman até se esforça para não ser mais um desses tolos), os contratados da globbels não passam de entretenedores baratos e essa lógica respinga em praticamente toda a programação. Percebam como mesmo o setor de jornalismo tem um pouco dessa verve, que é diferente de se apresentar um jornal de forma mais descontraída. Mesmo os concorrentes já notaram e imitam esse jeito estúpido de ser de Thiago Leifert, o bobalhão da mídia.
É possível que TL tenha se inspirado na produção artística atual, que privilegia esse tipo de comportamento, pois tal mascara a inutilidade de suas obras sem conteúdo algum e então apela-se para a bobice, a palhaçada, e assim não se tem mais o arrojo daqueles que desafiam o público com seu trabalho. Assim mesmo uma vaia parece estar fadada à extinção, o que significa o fim de uma tentativa de se tentar algo novo em detrimento daquilo que arranca aplausos e sorrisos fáceis.
A leifertização é uma praga! Boicote a essa filosofia já!


Do cacete!

Rápido comentário sobre mais um vexame do futebol brazuca.
O lance do gol peruano era tudo que Dunga precisava pra justificar essa eliminação – além da ausência de Neymarketing, claro. Afinal, a irregularidade foi tão clara que somente um Castanhera da vida (o que não viu o gol de falta de Douglas pelo Vasco contra o Flamengo em 2014) pra não vir...
Por outro lado e fora isso, pensemos bem:

1) Não fez gols no EQUADOR
2) Tomou gol do HAITI
3) O técnico é DUNGA
Tinha como dar certo?!?!?

É selenike, agora o 7 a 1 foi na palma da mão...


Viver ou morrer

Dia desses, assistimos um clipe do rapper Emicida no Youtube que nos chamou atenção para algo que também é recorrente em nossas análises: a forma como a mídia se utiliza das pessoas exatamente como se estas fossem meros produtos sem alma.
Num dado momento da canção ("Mãe", por sinal uma bela canção), o paulistano diz o seguinte: "... ou você vive Lady Gaga ou morre Pepê e Neném". Esse trecho causou certa polêmica porque algumas pessoas viram nisto uma crítica feroz à dupla, um tom mesmo de deboche, como quem ridiculariza as cariocas. Respondemos a um dos comentários por crermos que ali estava havendo uma denúncia mui importante por parte de Emicida.
Presumimos ter sido o contrário do que as pessoas entenderam. O próprio clipe, que é bem emocionante, já traz algumas pistas.
A citação, em verdade, é uma homenagem bem sacada porque ao mesmo tempo é uma crítica ácida e um grito de alerta para todos os que estão na estrada buscando seu lugar ao Sol. Emicida não está galhofando o fato de Pepê e Neném terem "morrido" como artistas. A crítica é justamente para quem as criou porque puseram as duas no mercado, exploraram o máximo que puderam e depois que conseguiram o que queriam deixaram-nas "a Deus dará". Elas foram tratadas tão-somente como produto, como fonte de renda, nada mais que isso. E é disto que todo aquele que quer viver de sua arte tem de fugir. Porque se já está difícil para quem percebe e não cai em esparrelas de bobeira, imagina pra quem está vulnerável e não conhece as artimanhas cruéis dessa gentalha oportunista...
Algum tempo atrás, soubemos dessa dupla. Ficamos chocados com o que vimos. Não são nem mesmo resquícios daquelas mulheres que (en)cantaram em todos os programas de televisão, que tiveram suas músicas executadas em todas as rádios... É como se elas nunca tivessem existido. Portanto, Emicida tê-las mencionado daquela forma e com aquele significado é de muita sensibilidade e perspicácia, ainda mais sabendo que tem muita gente que quer seguir o caminho da arte que curte seus raps, pessoas talentosas que apenas precisam de uma chance para mostrar seu valor e que certamente teriam vida bem mais longa que as gêmeas cariocas.
O duro é saber que certamente a mesma canalhice feita à Pepê e Neném se repete em inúmeros artistas que foram criados natimortos, com prazo de validade pré-determinado. Temos certeza que se Gaga não tivesse sido mais esperta em termos de gestão de sua fama estaria na mesma situação, ainda que muitos afirmem que a gringa "tem mais talento" que as brasileiras. Pois nesse ambiente, onde o efêmero ganha milhões com um vídeo no Youtube, nem mesmo o talento importa. As cifras valem mais que qualquer boa rima...


Sem açúcar

Não, não se trata da canção de Chico Buarque, interpretada magistralmente por Maria Bethânia em 1975. É o subtítulo de um texto muito bacana de um de nossos leitores, o sempre objetivo Ronaldo Russo Marcelino. Uma reflexão bastante lúcida sobre o momento atual e que nos convida à reflexão desse triste momento que a educação no Estado do Rio de Janeiro está passando.

Olá, caros amigos professores!
A situação da educação no Estado do RJ - e possivelmente em boa parte do país - chegou a um ponto em que é urgente a criação de um fórum permanente envolvendo todos os órgãos da educação e a sociedade civil para discutir o que se espera afinal da Educação na formação do cidadão. Não é possível olhar para o que acontece atualmente e achar que isso "depois resolvemos". Os desabafos que temos lido e/ou escutado nas redes sociais, não só o de vocês mas também o de muitos outros, ilustram o processo de descaso de boa parte da sociedade para com a Educação.
Fui professor do Estado apenas por cinco anos, mas o suficiente para perceber como o sistema educacional está fadado ao fracasso. Ele é feito para dar errado. Eu olhava para o lado e me perguntava por quanto tempo continuaria naquele processo. Nenhuma sociedade que leve a sério a educação permitiria que uma greve chegasse a três meses sem nenhum esforço para querer resolver o problema.
Todos perdem com essa longa greve, mas ela só mostra como a educação pública é vista pela sociedade. Por que uma greve de gari não dura nem um mês? Porque ela afeta a todos. E a educação, também não afeta a todos? A sociedade age como se as crianças e os jovens sem uma boa formação não fossem se transformar em um baita problema social no futuro. Parece que ignora que a Escola é a primeira ou única porta de entrada na cidadania - para não falar em civilidade - que muitas pessoas terão oportunidade, uma vez que a sociedade é cada vez mais excludente.
São percepções óbvias, e por isso é que assusta o descaso. O Estado joga com o tempo para a opinião pública ficar contra a greve e os professores. Mas poucos da sociedade civil - não espero isso da grande mídia - colocam o dedo na cara dos responsáveis para exigir uma solução. Se não tem como dar aumento, abram então o orçamento para provar. Não há o que esconder, o recurso/dinheiro é público.
Sei que a pauta de reivindicações é longa. Mas pra que resolver logo? Quem perde com isso? O governo faz esse cálculo. Mas, infelizmente não será com greves longas, fechamento de ruas e ocupação de escolas que a educação pública vai atrair positivamente a atenção de todos. Eu também não sei como fazer melhor, mas vocês não acham que estes recursos já estão sendo contraproducentes?
Eu lembro que aquela greve longa do governo Moreira Franco em 1988 foi o começo do processo de desprestígio que foi relegado à educação pública e aos professores. Depois daquilo, a educação pública nunca mais foi a mesma e os governantes perceberam que a sociedade não se escandalizava com aquilo.
Por isso, meus caros resistentes, é preciso criar outro paradigma de reivindicação e negociação. Os professores sempre estarão do lado mais fraco nas negociações, até porque a classe é grande, complexa e heterogênea. E isto dificulta muito afinar o discurso de classe, dando margem para o fogo amigo. A começar pela direção que parece ter pavor de voltar à sala de aula e perder a gratificação. Por isso, vejo como avanço a aprovação da eleição para direção com mandato fixo. Quem é professor sabe o quanto a direção se borra do Secretário e faz qualquer coisa pra ficar no cargo.
Enfim, amigos, desculpem pela mensagem longa. Como disse, é preciso um fórum permanente de discussão. Teríamos que criar um grupo só pra discutir os problemas da educação. Até quando a sociedade vai ignorar que, se alguém não tem nada, nada poderá oferecer? E o pior, o instinto de sobrevivência a levará a tomar o que estiver pela frente. É a lei da natureza, depois não adianta lamentar. Abraços a todos.


E pra fechar...

Finalizamos nossa malacanews mês com um breve comentário sobre a chacina ocorrida em Orlando (EUA) neste fim-de-semana. O acontecimento em si não poderia ter sido mais trágico, triste, revoltante. Porém, como o ditado ensina, sempre pode piorar.
Pois eis que alguns resolveram usar as redes sociais para desfilar as mais pavorosas sandices sobre os fatos. Desde apoio à chacina até comparações esdrúxulas do tipo "Quando são lésbicas, ninguém chora igual". Isso mesmo que vocês leram. Sem tirar vírgula.
Por isso, nos posicionamos exatamente como fizemos à ocasião do ocorrido com a menina no Morro do Barão. Ou seja:

As panelas seguem em silêncio, tendo sido substituídas pelo "Ah, mas ela..." em favor do estupro e de quem estupra e agora caminhando lado a lado com o "sou contra matar gays, mas...", em defesa do extermínio LGBT.

Simples assim. Ponto final.



sexta-feira, 13 de maio de 2016

EM 1964 FOI A TRAGÉDIA, AGORA É A FARSA

EM 1964 FOI A TRAGÉDIA, AGORA É A FARSA
- Jorge Alexandre Alves -


A tradição bíblica sapiencial nos afirma que tudo há um tempo. Para a guerra, para a paz, de calar, de falar, de juntar pedras, de espalhá-las... já o cancioneiro popular chama o tempo de rei e faz uma prece pela transformação da vida. Mas que tempos são esses onde o que é certo vira errado, onde o ilegal se traveste de formalismos jurídicos e onde os ladrões condenam os inocentes? Onde estão aqueles que serão mais impactados com tudo isso? Será que no dia seguinte à decretação do Estado Novo ou em 01/04/1964 foi da mesma forma? Estamos diante de uma nova geração que está “assistindo a tudo, bestializados”?
Os últimos dias foram um convite a uma reflexão silenciosa para verificar que a hipocrisia, a demagogia e irracionalidade foram a tônica na política nacional. Foram dias onde, de forma emblemática, e como nem talvez no suicídio de Vargas ou em Abril de 64 tenham sido tão explícita, a grande imprensa brasileira se comportou como um partido político profundamente engajado em seus interesses. É um exemplo tão didático que no futuro servirá de modelo de estudo para os graduandos em Ciências Sociais mais interessados em política.
Muito já foi escrito, lido e falado sobre esse momento trágico da história brasileira. A contribuição que se pretende dar nestas linhas a respeito do tempo que começamos a viver. E não podemos ter dúvidas que vivemos o TEMPO DA FARSA.
A farsa de um governo ilegítimo que se estabelece a partir de um estelionato eleitoral que rasgou o símbolo maior de um sistema baseado no voto universal. São 54 milhões de pessoas que tiveram seus títulos eleitorais literalmente rasgados.
A farsa continua no símbolo escolhido para compor o logo deste novo governo cheio de velhacos da política. Deseja-se passar uma mensagem de austeridade e de patriotismo com o globo da bandeira nacional. Ordem e progresso representando uma nova era. Mas infelizmente muitos devem ter se esquecido das aulas de História onde se explicou a razão dessa frase. Outros tantos possivelmente não tiveram aulas de Sociologia para saber que se trata do ideário de uma doutrina elaborada no século XIX com a pretensão de ser a primeira teoria social. Que seu criador, o pensador August Comte, a chamara de Positivismo e tal ideário era muito conservador e avesso a mudanças sociais profundas. Tais ideias estão presentes na essência da formação militar brasileira até hoje e foi a matriz ideológica que orientou o movimento republicano que despachou o Pedro II para fora do país.

Hoje, se o logo do governo Temer tivesse a vênus platinada (veja figura) no lugar do globo da bandeira, talvez bastante gente sequer percebesse. E ideologicamente pouca diferença faria.


A farsa se concretizou porque muita gente, sobretudo nas classes média urbana, afirmava ser a favor do impeachment de Dilma Rousseff para que se acabasse com a corrupção, como se trocando o mandatário, imediatamente, de forma mágica (incrível como em pleno século XXI muita gente adulta ainda crê no pensamento mágico fora da religião, e o defende com um fervor apavorante!), todos os problemas nacionais se resolveriam instantaneamente. É um tempo de farsa porque 1/3 do ministério de Temer é citado na Lava Jato, além do próprio presidente em exercício, implicado em várias denúncias de corrupção.
Vivemos uma farsa porque temos um ministério sem mulheres nem negros, como se o Brasil fosse um país onde as mulheres fossem tão somente “belas, recatadas e do lar”. Parece que não haverá espaço no poder executivo federal para elas...
Este tempo de farsa se torna mais escandaloso na medida em que verificamos quem compõe o ministério de Temer:
·         O filho do Sarney é ministro. Ele mesmo... E do meio-ambiente!
·         José Serra, que quer entregar o Pré-Sal as multinacionais do setor e sucatear a Petrobrás no Itamaraty;
·         Um ruralista administrador no Ministério da Educação. Ele já prometeu que vai usar os serviços de consultoria da famigerada Claudia Costin, de triste lembrança para os professores da cidade do Rio de Janeiro quando secretária municipal de educação. Para ela, educação é mercadoria e professor uma engrenagem a mais na linha de montagem de fabricação desse produto.
·         O chefe do Estado Maior do Exército, Sérgio Etchegoyen, como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. O tio dele fora ligado aos porões do regime militar. Indicado por Denis Lerrer Rosenfield, filósofo de ultradireita que escreve em jornais conservadores, hoje assessor especial de Temer. O objetivo dessa aproximação: Fortalecer aqueles que desejam o retorno de um órgão parecido com extinto SNI (Serviço Nacional de Informações). Objetivo: monitorar os que representam o perigo interno de desestabilização do governo – os movimentos sociais. Como o ministro da reforma agrária do governo FHC Raul Jungmann volta à pasta agora, dá pra ter uma ideia da perseguição que poderá ser deflagrada aos movimentos sociais no campo.
·         O ministro da Justiça e da Cidadania, Alexandre de Moraes, foi Secretário de Segurança Pública de SP. Isso por si só revele o que ele entende por cidadania. Há alguns dias disse que as manifestações contra o impeachment foram demonstrações de terrorismo. Mais: autorizou a PM a expulsar estudantes de uma ocupação escolar na cidade de São Paulo.  Para piorar, foi advogado daquela “singela” facção criminosa paulista, o PCC. O que esperar da Procuradoria Geral da República e da PF com ele?

E ainda tem ministro que roubou dinheiro da merenda em Alagoas, que recebeu propina da OAS... E aí, você que vestiu verde-amarelo e foi desfilar sua indignação contra a corrupção na Paulista ou na Atlântica, viu como a corrupção acabou rapidinho com a chegada do Temer à Presidência (interina) da República?
a maior das farsas: parte destes que hoje se locupletam com Temer até outro dia estavam nos governos petistas. Eram da base aliada em nome da farsa das farsas: a governabilidade. Irmã siamesa de outra farsa: o falso republicanismo com seus adversários. Falso porque senão o governo federal teria regulamentado a mídia (e bastava pegar o modelo norte americano, já que os empresários do ramo adoram se espelhar no Tio Sam para muitas coisas); executado a dívida da Globo com o BNDES, cortado as verbas oficiais (estatais e ministérios) de publicidade da grande imprensa, porque, como disse Frei Betto “não ousou implementar reformas de estruturas, como a política, a tributária e a agrária. (...) Formou uma nação de consumidores(...) mas não se empenhou na alfabetização política da nação nem na democratização da mídia”.
Enfim, viveremos tempos de farsa porque em nome da tranquilidade dos mercados, do desenvolvimento e da segurança dos contratos romperemos nosso combalido contrato social com políticas econômicas que punirão os trabalhadores em nome da estabilidade financeira.
Quando aqueles que saíram da miséria nesta última década se verem impedidos de realizar seus sonhos de consumo; quando segmentos da classe média tiverem seu poder de compra achatado, quando os corruptos do PMDB forem réus confessos permanecerem impunes; quando muitos dos que hoje aplaudem a saída de Dilma ou ignoram tudo o que está acontecendo... Enfim quando todos estes se derem conta da farsa em que vivemos a partir de hoje, talvez novamente entraremos em tempos trágicos... Quem da MPB nos fará canções de protesto que alimentem  nossa esperança por mudanças
Aliás, restará tempo para mudanças?


quinta-feira, 12 de maio de 2016

recomeçou

segue o jogo

Essa é a continuidade do texto que escrevemos no mês passado, "Um velho recomeço".
Ser a favor a alguma coisa nunca teve um sentido tão contrário quanto nesta quinta-feira.
Às vésperas dos 128 anos da assinatura da Lei Áurea, mais uma vez o Brasil é relembrado que continua escravizado.
Ao menos desta vez, o espetáculo foi "menos constrangedor": a patifaria foi mais "respeitosa", com mais decoro, e não tivemos um novo reality show de aberrações.
O republicanismo confirmou o troco.
A realpolitik foi realmente cara.
Escrevemos nas redes sociais que a partir de hoje, 12 de maio de 2016, nenhuma panela jamais voltará a ser espancada. Entretanto, foi uma afirmação não totalmente correta, foi mais "da boca pra fora". Pois é evidente que hoje tivemos a certeza de nossa posição já deixada clara no dia 18 de abril do ano corrente. De aguardar ansiosamente a primeira reclamação dos que apoiaram o impeachment em relação a esse novo governo que se avizinha. Mas neste caso, não nos referimos aos incautos, ao gado, aos bois de piranha, e sim àqueles que mesmo sabendo o quanto a decisão de ontem custaria, não tiveram o menor constrangimento em apoiar o terceiro turno.
E reiteramos o que dissemos do Partido dos Trabalhadores naquele fatídico dia: nunca mais sejam republicanos com quem odeia o Brasil. Ainda mais agora que o partido voltou a ocupar o lugar que foi seu por anos a fio e que realmente soube ser e fazer: oposição.
Nossa tristeza permanece. E que haja lugar debaixo da ponte para nós.
Sem mais.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

o fim de um império

sei que você hoje é bobo porque seu reinado já chegou ao fim

Salve galera!
Movido por um post de nosso caro amigo e alienista Bruno Timorato na segunda-feira, resolvemos escrever sobre o ocaso de um dos maiores desperdícios que o futebol já teve notícia nos últimos 20 anos.
O post dava conta de uma goleada sofrido pelo sofrível time do Miami United, um time da quarta divisão do futebol estadunidense. Este timeco apanhou em casa para o não-menos horroroso Miami Fusion por 5 a 0. Essa goleada não teria rigorosamente nada demais, nem mesmo seria levada em conta, não fosse um personagem que estava vestindo a camisa 10 do United. Personagem este que deve ter dado um alento aos torcedores do MU quando chegou ao clube, afinal trata-se de um futebolista brasileiro de renome, dos mais famosos do mundo. Entretanto, só se esqueceram de dizer aos torcedores e dirigentes do clube que trata-se, em verdade, dum ex-jogador em atividade.
Quando Adriano Leite Ribeiro estreou entre os profissionais do Flamengo, era um jogador tido como apenas mais uma promessa, como sempre acontece quando um garoto sobre pros profissionais. A recordação que temos desse garoto foi num jogo de Campeonato Carioca em 2000. Estávamos no Maracanã nesse dia, ou melhor, nessa noite. E o que nos chamou atenção, mais que o próprio jogo em si, foi um anônimo que estava na arquibancada, um senhor de idade que parecia demais com o saudoso Jorge Nunes, da Rádio Tupi. Até o boné era igual... Pois bem, este homem ficou durante o jogo inteiro gritando "Adriano, vai pra dentro da área, tu não sabe fazer tabela, pra que tá no meio-campo?". Lembramos que olhávamos pro distinto e ríamos, enquanto ele comentava, estilo Jorginho: "Porra, olha esse moleque, alto, massa bruta, todo desengonçado, tá fazendo o quê na meia? O lugar dele é dentro da área, vai por mim, na base ele era o centroavante... Caralho, vai pra área, filha da put@#$$a!!!" E ele berrava furioso contra o tal "moleque", quando este pegava na bola fora da grande área...
E o engraçado é que o anônimo estava coberto de razão. Porque Adriano dentro da área marcou duas vezes nesse dia. "Eu não falei??? Fica na área Adriano, que tu vai se dar bem, porra!!!", ele comemorava feliz da vida com a vitória do Mengo. A partir dali, começava a saga daquele centroavante "massa bruta" que foi o cara por alguns anos.
Adriano chegou a ser convocado para a seleção de base (recordamos de tê-lo visto na época do Sul-Americano conquistado pelo Brasil), onde brilhou, e depois de uma boa temporada em 2001, foi transferido para a Itália. E foi lá, num campeonato considerado muito difícil para jogadores mais habilidosos (por analogia, especialmente para os brasileiros), que ele conseguiu atingir um patamar impressionante e um status de craque que poucos conseguiram em tão pouco tempo. Primeiramente no Parma e depois, e em definitivo, na Internazionale de Milão, onde se consagrou como artilheiro, tendo conquistado diversos títulos e o epíteto de Imperador. Chamava a atenção por ser um centroavante de muita força e que levava muita vantagem no corpo-a-corpo. E o curioso: aquela crítica do velho do Maracanã, de que o atacante era "desengonçado", também perdera a razão de ser porque Adriano aprendera a se valer da força e da altura para ser um centroavante "rompedor", daqueles que se põem na área e não se param com facilidade. Ou seja, taticamente ele também evoluíra.
Foi quando a tragédia familiar se abateu sobre Adriano e estabeleceu o começo do seu fim em 2006. Depois da morte de seu pai, certamente um porto seguro para o jogador, o rendimento caiu drasticamente. Fez uma péssima Copa do Mundo em 2006 (mas houve outros culpados nisto, talvez um dia escrevamos acerca) e foi preterido na Inter (onde estava sendo questionadíssimo pelo clube e pelos torcedores por indisciplina e poucos gols), tendo ido parar no São Paulo, onde recuperou a forma e voltou a marcar gols. Porém, ao fim da participação do Tricolor paulista naquela Libertadores de 2008, seu retorno à Itália foi tímido e ele já estava enfrentando problemas com o álcool e indisciplinas. Até que finalmente em 2009 assumiu o problema com a bebida e saiu da Inter pela porta dos fundos, sem alarde.
Adriano não ficou muito tempo sem "a alegria de jogar futebol", como declarara numa entrevista. Pois o Flamengo resolveu repatriá-lo e ali, provavelmente, foi seu último grande momento como jogador de futebol. Ele se dedicou de corpo e alma ao clube, perdeu muitos quilos, procurou não se envolver muito em confusão (mas acabou tendo alguns ruídos no meio do caminho) e foi abraçado pela Nação (e por Andrade e Petkovic), que comprou a briga e o impulsionou novamente ao estrelato. Foi o artilheiro do Brasileirão daquele ano em que o Mais Querido foi campeão, eleito o craque do certame por diversas publicações esportivas e já era tido como certa sua convocação para a Copa do Mundo em 2010, na África do Sul. Enfim, um retorno triunfal do Imperador ao futebol. Porém...
O ano seguinte foi o oposto total de tudo que conseguira antes. Sua irresponsabilidade já atingia patamares absurdos. Adriano vivia visivelmente do que fizera em 2009. E a mesma torcida que o apoiou e que o pôs nos braços tratou de exigir sua saída, por entender que ele não estava mais honrando o Manto, nem respeitando o clube. Com a situação totalmente desfavorável e já totalmente descartado para a disputa da Copa em 2010, mais uma vez Adriano saiu pela porta dos fundos de um clube.
Foi nesse período conturbado em que esteve no Flamengo que várias estórias pipocaram aqui e ali. Algumas verídicas, outras nem tanto, mas todas dando conta de que Adriano tinha mais que simplesmente problemas de alcoolismo (que ele assumiu de vez anos depois). Era também a questão das péssimas companhias que o circundavam. Daquelas sanguessugas que sempre querem aparecer à custa de uma figura muito midiática que não tem pessoas sensatas ao seu redor para poder alertá-lo. São elementos que arrancam até o último centavo de uma pessoa, que mal sabe o que está acontecendo consigo própria, e que depois de vê-la caída sem nada mais que se possa aproveitar somem de sua vida sem deixar vestígios.
Lembramos que por muito tempo as pessoas diziam que o problema era o vínculo dele com a Vila Cruzeiro, local onde viveu por toda a vida e que era um dos bairros mais perigosos do Rio de Janeiro. Diziam que ele era colado com o tráfico, sendo amigo de traficante, etc. Nós sempre tivemos certa parcimônia quanto a isso. Porque esse tipo de vinculação, em muitos casos, era feito com base no preconceito por estar-se referindo a um local que faz parte do Complexo do Alemão, onde a maioria da população é pobre e passa por muitas dificuldades decorrentes da criminalidade e também por ser um daqueles logradouros onde não se há nenhum tipo de incentivo ou investimento.
Todavia, com o passar do tempo, aquela reserva que tínhamos com relação ao que escrevemos foi também se diluindo porque Adriano estava se envolvendo em estórias mui polêmicas, como o episódio em que teria queimado a perna (ou o pé) primeiro com uma lâmpada, depois com um escapamento de uma moto; depois, ele foi retratado empunhando uma arma (a mais polêmica de todas as polêmicas); até que finalmente se envolveu numa estranha confusão com uma então namorada no Ninho do Urubu. Em suma, Adriano parecia deixar claro que suas companhias também não eram das melhores. E isso independia de seu passado de garoto que soltava pipa nas lajes de seu bairro ou que batia pelada nas várzeas locais. Era ao mesmo tempo o preço da fama sendo pago e cobrando sua parte no acordo aliado a uma péssima orientação seja por familiares, seja por pessoas ligadas diretamente à sua carreira.
E o mais trágico nisso tudo é que ele não dava sinais de que tal estado de coisas era um incômodo sério. Pois a impressão que nos causava era de que ele estava disposto a não se desvincular dessas confusões, se afundando mais e mais nelas. Ele aceitava as piadas vindas de todos os lados e nem se importava mais em preservar sua fama de Imperador em áureos tempos. Tudo indicava que novamente e em definitivo ele perdera "a alegria de jogar futebol".
Com todos esses elementos, o ex-camisa 10 do Flamengo ficou sem mercado, uma vez que os clubes viam nele um potencial única e exclusivamente para confusões. E ninguém quer ver sua marca associada a problemas. Tite não agüentou o centroavante por muito tempo no Corinthians. A passagem pelo seu último clube no Brasil, o Atlético Paranaense, foi como se nem tivesse ido pra lá. E assim, ele se limitou a ir para clubes sem nenhuma expressão, ele que até pouco tempo era presença obrigatória em qualquer clube mundo afora. Tantos europeus que se dispuseram a ofertar jamantas de euros ao atacante que hoje em dia não vale uma cestinha de supermercados de reais...
E assim, ele foi rodando clubes de quarta ou quinta categoria mundo afora até parar nesse tal de Miami United. Imaginamos a recepção: muita festa, muita badalação e tals. Afinal, para aqueles ianques, ele ainda é o Adriano que conquistou o mundo com gols e o tetra na Itália, o centroavante rompedor da selenike, o grande matador. Isso porque apesar de todos os pesares, certos locais ainda têm aquela imagem positiva do ex-craque e avaliam que ele não desaprendera a jogar bola. E como em terra de cego quem tem olho é rei, era evidente que ele sobraria na turma, assim indubitavelmente pensaram os dirigentes do United.
Ledo engano pelo menos por enquanto. Pois com o brasileiro em campo, a derrota foi somente de 5. O que nos fez projetar algo realmente "sombrio" para Adriano. Pois com Bebeto aconteceu algo assim. O camisa 7 do tetra foi badaladíssimo pro México já em franca decadência, mas obviamente não de forma tão negativa quanto o herói da Copa América de 2005. Pois bem, o tal time que ele foi defender (Toros Neza) tomou umas 3 ou 4 goleadas seguidas e ele só marcou 2 gols em toda sua estada por lá, o que não impediu o time mexicano de ser rebaixado. Resultado, saiu de lá quase que a socos e pontapés praticamente.
Estamos vislumbrando algo parecido para o ex-Imperador, pois o que mais ele pode oferecer de interessante num clube que faz parte duma confederação cujo campeonato não prevê subida ou descida de divisão, onde clubes compram sua estada em divisões, uma verdadeira e inequívoca liga de aluguel? Se ainda fosse um clube da MLS, que tem tido recordes de público, audiência e popularidade, ainda ia, mas nem isso! Adriano está condenado a morrer jogando na quarta divisão de um país onde o que realmente importa é jogar bola com as mãos!
Finalizamos o ensaio deste mês com essa triste constatação. Sem mais o que pensar no caso de um dos desperdícios mais tristes da história do futebol mundial. Um homem que teve o mundo da bola aos seus pés de forma meteórica, assim como também de forma instantânea viu seu império ruir graças às péssimas escolhas feitas por tantos e tantos anos. E pensar que em 2009, quando foi dado como acabado, ele foi o Imperador do Brasil. E pensar que hoje ele teria vaga fácil nessa patética selenike de Dunga, inclusive no lugar de Neymarketing, assim como tinha na selenike de 2010. Adriano protagonizou um indiscutível 7 a 1 imperial... Que gol contra horroroso!

Ficamos aqui pensando o que o sósia de Jorge Nunes diria de tudo isso. Como o mundo é muito pequeno, quem sabe ele não está lendo nosso texto agora? Se estiver, que saiba que ainda temos a recordação figurista daquela noite de vitória do nosso time no Maracanã: "Eu não falei??? Fica na área Adriano, que tu vai se dar bem, porra!!!"