quinta-feira, 18 de agosto de 2016

um triste paradoxo

A terça-feira olímpica do Brasil nos esportes coletivos foi um daqueles dias para se esquecer. Foram três eliminações muito dolorosas: A do handebol feminino, a do futebol feminino e a do voleibol feminino. Isso sem contar a derrota de Talita e Larissa – que simplesmente não entraram em quadra - na semifinal do vôlei de praia para a dupla alemã, a melhor do mundo, diga-se. Em uma olimpíada que teve como destaque na primeira semana de competições a participação das mulheres brasileiras, tivemos um dia para ser esquecido.
Ontem, apesar da classificação para a final do futebol masculino (diga-se, não fez mais que a obrigação), tivemos um jogo de nervos no vôlei masculino e, na raça, despachamos "nuestros hermanos e vecinos" que, jogaram muita bola, e venderam caro sua derrota. A seleção brasileira venceu um jogo tecnicamente fraco demais, mas extremamente carregado de emoção. Aos trancos e barrancos chegou a uma semifinal dificílima contra a Rússia. É meus amigos e minhas amigas, a coisa tá russa pro nosso lado agora. Porém, o dia teve o gosto amargo de duas derrotas no vôlei de praia. Talita e Larissa tomaram uma virada e perderam o bronze para a dupla americana capitaneada pela grande Walsh, tricampeã olímpica. Na decisão, as alemãs não tomaram conhecimento de nossa outra dupla (Ágatha e Bárbara) e ganharam por 2 sets a zero.
Diante de tantas e tão dolorosas derrotas, é legítimo que nos perguntemos o que aconteceu com nossas mulheres. Aliás, poderosas mulheres que nos encantaram com tamanho brilho e nos fizeram sonhar com medalhas e com o lugar mais alto do pódio. Pessoalmente, duas derrotas me foram mais doídas: a do handebol e a do futebol feminino. Por todo o contexto que envolve as modalidades elas mereciam melhor sorte. Marta & Cia. ainda podem lutar por um honroso bronze, diferente das moças do Handebol. Destino semelhante teve a seleção feminina de vôlei. Com essa geração vivemos o sonho dourado por duas olimpíadas. Elas estiveram perto de repetir a façanha das cubanas na década de 90. Mas o esporte não é justo e nem previsível. Talvez por isso seja tão apaixonante e tão bem usado para instrumentalizar multidões mundo afora.
Mas retomemos a questão do parágrafo anterior: Afinal, o que aconteceu??? Nada demais... Isso mesmo, nada demais. Não foi falta de força mental, como ficou evidente no caso da derrocada do basquete masculino. Também não foi complexo de vira-latas, ninguém "entregou a rapadura", as meninas do futebol e do vôlei de quadra nem jogaram mal.
E tem outra coisa: a qualidade das adversárias. No handebol, as holandesas nos eliminaram jogando em cima de nossa única deficiência ofensiva, e fizeram muitos gols de contra-ataque. No futebol, australianas e suecas, reconhecendo nossa superioridade técnica, jogaram com muita disciplina tática, conseguiram não levar gols e levaram a decisão para a disputa de pênaltis. Numa partida, levamos nós. Na segunda vez, não deu. Contra a Suécia, cabe ressaltar o trabalho da sua técnica (bicampeã olímpica dirigindo as norte-americanas, diga-se) que estudou bastante nosso jogo. Da mesma forma a técnica da seleção chinesa de vôlei feminino, Lang Ping (foi excelentíssima jogadora). Ela, após o Brasil arrasar a China no 1º set, mexeu em sua equipe, mudou jogadoras de posição para explorar nosso talvez único ponto fraco: a sequência recepção – passe. E se tornaram melhores, vencendo merecidamente o jogo. Suas adversárias, a nossa seleção, havia vencido todo mundo sem perder nenhum set sequer até aquele jogo. E a chave era bem mais fácil...
Nas demais disputas, mesmo com a dor e a tristeza da derrota, houve o reconhecimento da crônica esportiva especializada e dos torcedores. Havia expectativa pela vitória, mas não houve cobrança pela derrota. É quase unânime dentre quem acompanhou os jogos a percepção de que todas elas deram tudo o que podiam. Até as partidas decisivas, elas haviam feito partidas excepcionais, que nos encantaram e nos fizeram acreditar que poderiam ganhar suas respectivas competições. Tanto que foram todas muito aplaudidas, apesar das derrotas. Mesmo com a derrota houve brilho e superação ao longo da campanha. Infelizmente, no momento decisivo, suas adversárias conseguiram jogar melhor ainda e foram superiores. E nós não repetimos nossas melhores atuações. São derrotas das quais se podem tiram valiosos aprendizados para o futuro.
A principal questão que envolve essas tristes eliminações e/ou derrotas decisivas de nossas meninas não está na análise do desempenho esportivo dentro dos gramados, das areias ou dos ginásios. O fato é que estas derrotas acabaram por evidenciar o maior equívoco esportivo que o COB cometeu na preparação: a opção por uma política esportiva centrada apenas e tão somente em atletas de alto rendimento e modalidades consideradas mais competitivas. Diferente de trinta anos atrás, hoje não se pode dizer que faltam recursos ao esporte brasileiro. Falta sim é política esportiva no país. Antes de terminar os jogos olímpicos, eu voltarei a esse tema com mais calma.
As eliminações solaparam definitivamente as pretensões do Comitê Olímpico do Brasil para o quadro de medalhas destes jogos. Antes de começarem as competições, o COB havia estabelecido uma meta de colocar o "Time BRASIL" entre os "top 10" no quadro de medalhas, ultrapassando a marca das 20 medalhas. Lamentavelmente perdemos uma grande oportunidade – que provavelmente jamais se repetirá – de nos tornamos uma potência olímpica. A não ser que apareça uma grande surpresa no tae-kwon-do, no atletismo, na ginástica rítmica ou no triatlon, dificilmente teremos mais alguma medalha de ouro conquistada por mulheres brasileiras, o que elevaria nossa posição no quadro geral de medalhas. Nesse aspecto, o COB fracassou feio. E induziu o Estado Brasileiro a uma política nacional desportiva muito equivocada. Gastaram recursos volumosos para esse desempenho pífio e que não está muito distante dos resultados dos dois últimos jogos olímpicos.
Assim, numa olimpíada em que as mulheres nos encantaram, somente os homens têm chances reais de medalhas de ouro: no futebol, na canoagem e no vôlei de praia. Seria uma grata surpresa, mas há uma pequena chance no arremesso do martelo também. Um choque de realidade que fez água nos sonhos da cartolagem do COB (Nuzman e Marcus Vinícius) e frustrou as expectativas dos torcedores brasileiros que, em sua maioria, apenas acompanha os esportes olímpicos a cada quatro anos. Triste paradoxo...


domingo, 14 de agosto de 2016

a conjuntura do golpismo

Salve galera!
Mais uma vez, abrimos espaço orgulhosamente para nossos leitores, dando voz a quem não tem.
Dessa vez, nosso amigo Renato Romano faz uma acurada análise sobre a conjuntura, com um enfoque e um vernáculo um pouco diverso de nossos redatores.
Esperamos que os amigos gostem do texto e que fiquem à vontade para concordar ou discordar das idéias de nosso caro companheiro.
Aos fatos!


A CONJUNTURA DO GOLPISMO
Renato Romano


A grande possibilidade de políticos envolvidos na Lava Jato serem anistiados no âmbito do Congresso, somada ao arrefecimento ou mesmo inação dos órgãos judiciários diante de novas evidências de corrupção em componentes da cúpula do governo ilegítimo de Temer, parecem confirmar-nos o óbvio: a existência, sob a tutela judiciária e política, de um projeto de poder que encontra seus alicerces surpreendentemente fortes, na conivência dos órgãos políticos, latu sensu, com a ilegalidade e a ilegitimidade.
É muito constrangedor verificarmos que as instâncias que deveriam resguardar a ordem republicana contra quaisquer afrontas investem todos os seus poderes e recursos de forma seletiva, atingindo determinados grupos políticos em prol de outros, derrogando os princípios informadores da justiça como uma transcendência que, na esfera pública, deveria prevalecer sobre interesses particulares ou mesmo de certas coletividades.
Como desdobramento da particularização da justiça, agora nas mãos de um determinado staff judiciário-politico que encontra sua suposta legitimidade no senso comum, observa-se certa e imprópria discricionariedade na aplicação de princípios basilares do direito público, como o in dubio pro reo, o qual foi derrogado quando da aceitação do julgamento político de Dilma pelo Senado, e tem sido cuidadosamente, por outro lado, observado por órgãos judiciários de diversas instâncias, com relação a políticos que se atrelam ao projeto de poder do governo ilegítimo.
Respaldando, de certa forma, a desigualdade de medidas dos julgados para os diferentes grupos políticos, o aparato midiático, de grande influência na opinião pública, tem prestado enorme desserviço a uma compreensão mais lúcida e equilibrada do atual cenário da política brasileira, o qual, eivado de forte polarização e falta de diálogo entre duas "supostas" tendências antagônicas, tende, perigosamente, a ter ressonâncias fragmentadoras para toda a sociedade, pelo arrefecimento dos já tênues laços de solidariedade que têm marcado nossa vida social, pelo menos desde 1988.
Assim sendo, o desmonte do pacto previdenciário, a reforma trabalhista com todos os aspectos draconianos que trará em seu bojo, a privatização de ativos públicos sem as contrapartidas necessárias (se é que as há) são alguns dos principais pilares que os agora legitimados (porém, inerentemente ilegítimos!) agentes governamentais poderão implantar ou cuja implementação podem ensaiar, contando para isso com o beneplácito de grandes parcelas da sociedade que já não entendem mais a República, em última instância, como um valor, preferindo escudar-se com seus particularismos em instâncias decisórias que tendem a reforçar soluções excludentes e corporativistas, em detrimento de uma visão mais ampla do corpo social.
A existência respaldada de instâncias políticas que flertam com o autoritarismo e com os particularismos parece, portanto, ressoar a vocação de amplos setores da sociedade brasileira com tais valores, reforçando os liames de um Estado schmittiano, supostamente forte porque atuante no atendimento de demandas particularistas e patrimonialistas.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O OURO DA SUPERAÇÃO, A EMOÇÃO DA HIPOCRISIA, AS VAIAS DA REVOLTA E O CARIOCA LESADO

Quando comentei os resultados da Copa do Mundo de 2014, escrevia sobre um único esporte e várias seleções. Nesta olímpiada escrevo sobre a participação brasileira em várias modalidades. Confesso que é mais difícil. Mas vamos tentar com o que faltou no texto passado.
A Ginástica Artística está de parabéns. Tanto no feminino quanto no masculino. Ficamos em sexto lugar por equipes no masculino, o feminino por equipes está na final e temos dois atletas de cada equipe nas finais individuais.
Já a condição do basquete feminino é de chorar. A seleção feminina acumulou duas derrotas, e nas duas com uma diferença significativa de pontos. E difícil de acreditar que há exatos 22 anos com um quinteto com Janete, Helen, Paula, Hortência e Marta, o Brasil era campeão do mundo e dois anos depois fora Vasc... quer dizer, vice-campeão olímpico, numa campanha memorável, a ponto da nossa melhor jogadora na competição passar a ser chamada de "Magic Paula". O caso e o ocaso do basquete brasileiro (de tantas glórias passadas, diga-se) deve-se a atuação da cartolagem, cuja gestão velhaca e corrupta fez com que o esporte da cesta deixasse de ser o segundo esporte na preferência nacional. Hoje as meninas do basquete estavam até ganhando da Belarus (antiga Bielorússia), mas passaram DEZ minutos, isso mesmo, dez minutos sem fazer uma única cesta. Pelo visto, não vamos nem nos classificar... E o masculino é o time do quase: quase vira, quase empata, quase faz cesta de três pontos. São todos bons jogadores, estão na NBA mas chega na seleção e... quase. Ahh, que saudades de Oscar, Marcel e cia... As vezes falta força mental a essa ótima geração. E tem dia em que ainda temos que jogar contra a arbitragem! Hoje, contra a grande seleção espanhola, o Brasil de novo quase... Perdeu. Foi por UM PONTO!!!!!!!!!! Mas a Espanha jogou muito mal hoje e nós poderíamos ter vencido com mais folga e sem passar por tantos sobressaltos.
A natação brasileira é outra que sofre com a cartolagem. O manda-chuva desse esporte lá está há quase trinta anos... Então se vive do surgimento de fenômenos de tempos em tempos. Depois da geração Scherer/Gustavo Borges e do fenômeno Cielo parece que vivemos tempos de entressafra. E corremos o risco de passar em branco em nossa própria casa.
O futebol masculino é outra modalidade que corre sério risco de ser eliminado na primeira fase. E dá um sonoro vexame nos gramados. A torcida perdeu a paciência com um time muito nervoso, sem esquema tático, com um técnico sem autoridade e sem recursos táticos. Parece que nem a seleção olímpica consegue escapar da ressaca do 7 X 1. Mais, Dunga se foi mas o futebol anacrônico que ele propunha parece ter impregnado as seleções masculinas de futebol.
O handebol feminino está em estado de graça. Nossas jogadoras fizeram hoje um partidaço. A vítima da vez foi a atual campeã mundial, a Romênia. Devolvemos a dolorida derrota que acabou com o sonho do bi mundial, e foi um passeio.  No masculino fizemos bonito na primeira rodada e vencemos a fortíssima Polônia por dois gols de diferença. Hoje, enfrentando os eslovenos, não fomos tão bem assim e eles nos venceram por 31X28. Vale dizer, não houve corpo mole e a torcida aplaudiu o Brasil ao final da partida.
O vôlei feminino não tomou conhecimento e venceu com facilidade as argentinas por 3 sets a zero. E jogou com muita seriedade. A seleção joga tão bem que dá até medo do dia em que jogar mal. O destaque negativo fica por conta do horário. O interesse comercial acima da necessidade do atleta. O Brasil jogará todas as suas partidas de vôlei (masculino e feminino, diga-se) até as semifinais no horário das 22:00h! Não gosto de teorias da conspiração, mas até parece até que tem gente na Federação de Internacional de Vôlei desejando a derrota brasileira no vôlei. Nas areias do Leme/Copacabana, os rapazes perderam seus jogos. Uma das duplas (Pedro Solberg e Evandro) perdeu a segunda partida e se complicou bastante para se classificar. As duplas femininas seguem invictas e venceram suas duas partidas. Será que teremos outra final feminina? E no vôlei masculino, uma nota para a maior zebra do masculino nessas olimpíadas. Campões olímpicos, os russos  foram derrotados pela Argentina, cuja torcida lotou o Maracanãzinho e deu um show, lembrando muito o que fizeram na Copa do Mundo de 2014.
Na vela, Robert Scheidt, competindo na classe laser, vive de altos e baixos e está em 8º lugar após 5 regatas. Talvez a medalha não venha...
E Rafaela Silva, traz a primeira medalha de Ouro para o Brasil nesses jogos de forma muito emblemática e carregada de simbolismos. O mais forte deles é uma questão de gênero. É a primeira medalha dourada em um evento onde as brasileiras parecem muito mais fortes e preparadas para jogar em casa. Futebol e judô que o digam.
O segundo simbolismo passa pela superação da atleta vítima de racismo porque foi desclassificada na olimpíada passada e hoje todos a enaltecem pela vitória. Não questiono a genuína emoção que muitos sentiram, mas há um quê de hipocrisia nisso. Hoje comemoram muitos que reforçam estereótipos e preconceitos de um país que não se assume como racista e preconceituoso com tudo aquilo relacionado aos negros, aos pobres ou que a origem esteja ligada à favela e à periferia. Tanto é verdade que coisa parecida ocorreu hoje na eliminação da nadadora Joana Maranhão. A diferença é que essa atleta posiciona-se muito claramente em termos políticos e, ao que tudo indica, essa postura incomoda a ponto dos covardes nas redes sociais se aproveitarem disso na hora mais dura para um esportista.
E tem o terceiro simbolismo, o de alguém que veio da Cidade de Deus (da região mais violenta, chamada de Coréia), tida por problemática, ganhar sua medalha em casa, há menos de dez quilômetros de casa. Esse é o resultado direto da sua vitória contra a pobreza. Mas não significa legitimar a tese que afirmar que todos que se esforçarem alcançarão a vitória. Isso não acontece com todo mundo, infelizmente. Muitos bons potenciais, em várias áreas, estão nas favelas e periferias, mas eles não chegarão ao topo por causa da falta de oportunidades, de infraestrutura em educação, por causa da violência e do preconceito.
A vitória de Rafaela Silva está diretamente liga as outras derrotas no judô. A política esportiva com vistas aos resultados de uma olimpíada em casa fez a equivocada opção por investimentos no chamado esporte de alto rendimento. O COB e as autoridades governamentais não foram capazes de produzir um programa de disseminação da prática desportiva. Foi assim que Austrália e China se tornaram potências olímpicas e que o Quênia despontou no Atletismo. Aqui no Brasil se fez uma opção elitista e perdemos a chance de nos tornar uma potência olímpica. E nem dava para virar mesmo em um país onde 6 em cada 10 escolas sequer possuem quadra de esportes... Assim sendo, quantas Rafaelas Silvas deixamos de ter??? Isso explica o porquê dificilmente teremos a quantidade de medalhas que o COB estabeleceu como meta.
Finalmente, não poderia encerrar esse texto sem mencionar minha descoberta e minha aventura hoje. Fui pegar uns ingressos que ganhei de presente hoje para competições que vou assistir amanhã. Como estava na Zona Norte da cidade, resolvi testar a história do acesso ao Parque Olímpico. A prefeitura e os organizadores dos jogos tem afirmado que para usar o metrô da linha 4 e os BRTs na Barra a pessoa tem que comprar um RioCard Olímpico (R$ 25 para usar um dia). TODOS  os turistas e muitos moradores da cidade estão gastando esse dinheiro todo e certamente não consomem nem a metade em passagens.
Pois bem, descobri várias coisas cuja a divulgação da prefeitura, dos comitês e da imprensa negligenciam. Primeiramente, meus ingressos eram para amanhã, mas ninguém conferiu data. Peguei o BRT especial em Vicente de Carvalho usando meu RioCard. Desci no terminal do morro do outeiro e verifiquei que não há bilhetagem na volta. Por isso, paga-se R$7,60 para entrar no BRT especial em Vicente de Carvalho (Peraí, mas e o bilhete único?). Lá verifiquei que tinha quiosques de alimentação. Em alguns deles falta comida depois de um horário. O pessoal do consórcio BRT está fazendo jornadas de doze horas diárias de trabalho... Com menos de R$15,00 não se come nada. E a empresa responsável pela alimentação nas praças esportivas dos jogos pertece ao neto e herdeiro do dono da Odebrecht. Isso lhe diz algo?
Só não entrei no parque olímpico porque o ingresso era para o Riocentro e a moça me "encaminhou para direção correta"... Resolvi voltar pela zona sul, já que moro em Botafogo. E entrei feliz da vida no BRT que ia para o Jardim Oceânico sem que ninguém me pedisse RioCard de quaisquer tipos. Ao chegar na Barra, desci para o metrô e... Bingo! Com meu Vale Transporte simples paguei a passagem de metrô e fui embora pra Botafogo feliz da vida...
Resumo da ópera: A prefeitura e a imprensa deliberadamente estão onerando a população e impedindo quando possível que turistas e moradores acessem o parque olímpico (creio que em Deodoro seja a mesma coisa) usando o vale-transporte ou RioCard. Para atender o interesse das empresas de ônibus e do metrô, que estão se locupletando em cima do público que está indo aos jogos, os responsáveis pelo evento (mídia, Prefeitura, COB, Concessionárias de transporte público) deliberadamente estão onerando a população e os nossos turistas. Mais uma vez fica evidente que nossos gestores (diga-se PMDB) organizam a cidade como se ela fosse uma mercadoria, colocando os interesses dos empresários acima do bem estar da popular. É complicado viver em um lugar com sensação de estar sendo assaltado pelo poder público o tempo todo...
Apesar da emoção que o esporte me provoca, pensar nisso dá muita raiva mesmo. Amanhã tirarei a prova dos nove. Tentarei ir pelo metrô da linha 4 até a Barra para ver as lutas de box. Relato depois minha experiência.


domingo, 7 de agosto de 2016

as OlimPIADAS da contradição

Como tudo neste mundo globalizado pelas forças do deus-mercado, as competições esportivas também se tornaram mercadorias. Valiosas, por sinal. Produtos fabricados pela indústria do entretenimento que, para além aumentar os lucros de políticos e de detentores do capital midiático, de alguma forma, extravasam parte de nossa agressividade e transferem para o plano simbólico nossos ódios e a radicalização das nossas rivalidades identitárias. Isso é fundamental por que ritualizam o conflito, a disputa e a competição. Por isso nos sujeitamos mais facilmente a outras formas de competição mais selvagens, impostas no cotidiano às pessoas pela sociedade de mercado. Em outras palavras, o esporte moderno alivia e faz com que a sobrevivência individual no capitalismo não seja algo absolutamente insano. Produz certa socialização sem a qual certamente retornaríamos à vida selvagem.
Assim, o desporto acabou sublimando parcialmente rivalidades e disputas que antes somente seriam resolvidas pela guerra, pela vendeta e pelo arrivismo. O conflito saiu do plano material e passou – novamente advirto, em parte – para o plano simbólico. Porém, isso também reflete o quanto estamos distantes de uma verdadeira cultura de paz, longe de uma verdadeira civilização global. Apesar do poder simbólico do esporte, a violência e a selvageria com a qual nos defrontamos diariamente mostra que o papel do esporte é mero paliativo, ainda que possa nos emocionar e comover.
Os ideais olímpicos, que foram recriados pelo Barão de Coubertain (paradoxalmente uma mistura de fidalgo com burguês), sem os elementos religiosos das olimpíadas na Antiguidade são diluídos pelos aspectos mercadológicos já descritos. Nessa lógica capitalista, mesmos os aspectos que envolvem o cuidado com a saúde, ou o caráter educativo da prática desportiva ficam em segundo plano. Isso explica porque as olimpíadas acabam por deixar como maior legado um enorme prejuízo às cidades que as sediam.
Um traço que marcará os jogos do Rio, no campo esportivo, é o cenário que emoldura as competições ao ar livre. O remo na Lagoa, com aquela vista e o Corcovado no alto, o vôlei de praia no Leme, na enseada mais famosa do país, e a prova de rua do ciclismo hoje evidenciaram isso. O ciclismo ainda merece menção pelo traçado do seu percurso, entrecortando a Floresta da Tijuca, mostrando ao mundo como mar e montanha estão tão próximos em nossa cidade. A fotografia destas imagens pela TV foi de tirar o fôlego, com paisagens que não costumamos ver com frequência em jogos olímpicos.
Já a organização dos jogos tem feito o Rio passar vergonha. Detectores de metal e portas de Raios X que não funcionam, filas intermináveis para entrar. Fiquei sabendo que a empresa responsável pelos acessos às praças esportivas foi troca agora às vésperas dos jogos. O interesse comercial falou mais alto que conforto do espectador. Essa gente não trata bem nem seus próprios clientes. Em alguns lugares de competição, nem comida tinha para se vender. Resultado: arenas vazias no início das competições, mesmo com todos os ingressos vendidos. E uma chuva de reclamações... Deve ser o jeito PMDB de organizar as coisas. A população, os turistas, a imprensa internacional estão podendo ter uma pequena amostra do que a prefeitura e o governo estadual fazem com servidores e usuários de seus precários serviços... E ainda tem a repressão a qualquer um que se manifeste contra este governo biônico que tomou de assalto o país. Quando penso na ressaca que virá após os jogos...
A festa de abertura foi até simples, curta e bonita. Nada que justifique os arroubos ufanistas de alguns comentaristas esportivos, nada que nos faça esquecer nossas mazelas e acreditar que o espírito olímpico, como em um passe de mágica, fará a nossa redenção. Mas cometeu erros graves porque deu a impressão de que a cidade se resume aos seus pontos turísticos. E bem que Nei Lopes, Elton Medeiros Martinho da Vila ou mesmo Monarco poderiam estar no lugar do esforçado Wilson das Neves... Faltaram menções à Zona Norte, aos subúrbios. O discurso de Nuzman forçou a barra, apelando para valores que sua gestão no COB desconhece. E finalmente, não poderia ser mais significativo que Guga e Hortência fossem os últimos a carregar a tocha olímpica, e que Vanderlei Cordeiro de Lima acendesse a pira olímpica. Merecido e justo para um atleta que teve verdadeiro espírito olímpico, coisa raríssima nos dias de hoje. Ainda bem que Pelé não teve essa honraria. E não fez a menor falta na festa. E ficou evidente a covardia de Temer que nem anunciado foi. Tomou vaia.
No futebol, vivemos o oposto nas primeira partidas dos nossos selecionados olímpicos. A seleção feminina fez seu dever de casa e ganhou com facilidade, vencendo as chinesas por três a zero. No entanto, o escrete apresenta um problema crônico: a ausência de uma armadora. E Marta foi discreta na partida. Além disso, se compararmos com as outras seleções, fica evidente que EUA, Canadá, França e Alemanha estão um nível acima. Nossa seleção pareceu jogar em "slow motion" se comparadas a essas. Porém, na segunda partida o Brasil goleou a Suécia e teve uma atuação mais sólida. Voltou a sofrer com o enorme espaço entre a defesa e o meio de campo, e a suecas perderam dois gols incríveis no começo. Contudo, o Brasil de ontem a noite teve um fator decisivo: Marta. Quando a craque resolve jogar uma parte do que sabe, a seleção se eleva a outro patamar. Por isso goleamos por 5 X 1. Elas se tornaram favoritas ao ouro? Não, estão longe disso. Ainda mais porque a artilheira Cristiane sofreu uma distensão muscular e sua ausência poderá ser sentida. A medalha será bastante difícil.
Já a seleção masculina padeceu na sua estreia, empatando de forma pífia com a África do Sul. Teve muitas chances mas pareceu afoita demais. E procurou Neymar em excesso. Mesmo quando outro jogador estava em melhores condições, a bola era passada para o astro do Barcelona. Renato Augusto pareceu fora de forma, a China não está lhe fazendo bem. Estamos longe de ter um time e falta humildade e capacidade de autoavaliação dos jogadores. Micale cometeu seu primeiro erro ao deixar a braçadeira de capitão com Neymar. A medalha de ouro é possível, mas parece que não é uma barbada.
Infelizmente o Judô não ganhou medalhas. Nossos judocas não eram favoritos dessa vez. Outros estavam melhores. Faltou condição física e técnica. A jovem Sarah Menezes teve uma grande lição hoje. E certamente voltará ao alto do pódio no Japão, em 2020.  Já o vôlei feminino passeou contra a seleção de Camarões. Mas preocupa a contusão da Thaísa, uma craque de bola. Ainda assim, tem todas as condições para ser tricampeã. A dupla masculina de vôlei de praia liderada pelo gigante Alisson venceu sem muitos sustos a dupla canadense. Já as meninas precisaram do tie break para derrotar a boa dupla tcheca. Na esgrima, nossa atleta com sua espada levou o Brasil ao inédito 5º lugar. Faltou um pouco só pra medalha.
Mas a medalha do dia foi prateada e do esporte que nos deus a primeira medalha da nossa história, nos jogos de Antuérpia -1920. Felipe Wu, que até anteontem treinava sem condições em casa e sequer tinha patrocínio (e anda me vêm o prefeito e o Nuzman falar de legado esportivo?), só não levou o ouro por 0,4 pontos. Uma história  de falta de apoio que se repete e talvez sirva para nos fazer entender porque levamos 96 anos para conseguir nossa segunda medalha no tiro esportivo...
E finalmente, o handebol feminino. Sempre estranhei o fato de não sermos uma potência no esporte que é o mais praticado nas escolas brasileiras. Como??? E porque não temos uma liga nacional forte? Todo mundo sabe as regras!!!! Mas no caso feminino o trabalho desenvolvido pelo dinamarquês Morten Soudback é revolucionário! Ele conseguiu montar uma seleção competitiva com as meninas. Elevou o Brasil a condição de potência e por isso já levamos um campeonato mundial. O Brasil deixou de ser zebra e nossas jogadoras jogam nos melhores times do mundo. A história da seleção de handebol é épica, vale a pena procurar um documentário, feito pela ESPN Brasil, e assistir. E hoje, na estreia, as meninas já mandarem muito bem e venceram com propriedade as bicampeãs olímpicas, a Noruega. Pra melhorar, a atual campeã mundial, a Romênia (que nos eliminou no último mundial) perdeu para Angola – zebra de primeira grandeza! E ambas estão no nosso grupo. Esse time brasileiro tem cheiro de medalha. E Soudback merecia uma estátua em praça pública e uma condecoração por serviços prestados ao handebol brasileiro.
Fico devendo basquete feminino e a ginástica masculina. Mas prefiro comentar sobre esses esportes no texto de segunda, junto com natação e após a segunda partida do futebol masculino. Abraços e prometo textos mais curtos daqui para a frente.


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

ESCREVER? TORCER? IGNORAR? PROTESTAR?

Dilemas de quem ama esportes, detesta o PMDB e está indignado com a grande mídia

Já faz algum tempo que concluí que se existe uma essência humana, ela responde pelo nome de contradição. Assim, nas precárias linhas que se sucedem, não esperem de mim posições políticas lógicas, mas uma tentativa frouxa de estar na corda bamba entre a crítica, a torcida e as parcas análises esportivas em relação a estas olimpíadas. Fernanda Abreu não poderia ter sido mais feliz na sua definição de cidade do Rio de Janeiro: "purgatório da beleza e do caos". Essa será a máxima desses jogos olímpicos e de tudo o que o envolve. Portanto, leiam meu texto, dialoguem comigo, mas não me exijam coerência. Neste momento me sinto como Adélia prado: "anterior às fronteiras"...
Antes de mais nada, confesso: sou apaixonado por esportes. Gostaria de poder praticar algum com regularidade, mas não consigo. Prometo que vencerei essa barreira. Minha relação como esporte é afetiva. Pensar sobre o esporte é difícil pra mim. Nos jogos olímpicos de Seul e em Sidney alterei meu relógio biológico. Por sorte estava de férias escolares em um e em outro foi recesso escolar. Dormia ao meio-dia para acordar as dez da noite e ver as competições madrugada adentro. Só não fiz isso em 2008 porque o risco de me prejudicar profissionalmente seria muito grande e já estávamos esperando a Isabel. Acho que essa paixão se explica porque quase não podia ver o que queria na infância. Tínhamos um só aparelho de TV e meus pais não me deixavam ver quase nada. No meu caso não foi herança familiar, foi descoberta pessoal, solitária mesmo.
Meu pai nunca entendeu de esportes, não me deixava ver quase nada que não fosse futebol – e desde que não estivesse outra coisa melhor pra ver na opinião dele, achava vôlei, ginástica olímpica e handebol coisa de gay (estou atenuando bastante suas palavras). Só entendia de boxe e de remo, que praticara na juventude. Só pude desfrutar dessa paixão e assistir esportes com mais frequência após me casar. Por outro lado só pratiquei futsal e natação, e poucas vezes estive em um estádio de atletismo. Nunca vi uma partida de vôlei ou de basquete in loco, mesmo sendo louco para tanto. Mas mesmo assim, apenas pela televisão, acompanho e me emociono com várias modalidades, desde pequeno.
Estava colado na TV quando Joaquim Cruz deu aquele "sprint" final em 1984 rumo ao Ouro nos 800m em Los Angeles. Aliás, é difícil entender porque não estamos entre os melhores do mundo numa modalidade tão barata. Vi Aurélio Miguel vencer em Seul-1988, as medalhas do vôlei masculino, me emocionei com as meninas do vôlei feminino, com a final brasileira de Atlanta-1996, com as medalhas do nosso sofrido boxe. As medalhas na natação, o salto dourado de Maureen Maggi no Ninho do Pássaro em Pequim-2008. Fiquei triste em várias derrotas como o refugo de Balobet du Rouet no hipismo, com as doloridas derrotas para Cuba e para a Rússia no vôlei feminino, com as derrotas do nosso Taekwondô, com as quedas de Daiane dos Santos e do Diego Hipólito, com o gol do nigeriano Kanu que nos tirou a chance de disputar uma medalha no futebol em Atlanta. Não dá para esquecer da derrota na prorrogação, com o jogo praticamente ganho, depois de várias chances perdidas, da seleção feminina de futebol... E como não ter ficado p.. da vida com aquele padre maluco que tirou o ouro na maratona do Vanderlei de Lima em Atenas-2004?
Fiquei impactado com o desempenho de gente como o Li Ning, o supercampeão chinês na ginástica olímpica em 1984, o desempenho de Karl Lewis, o assombro dos quenianos nas provas de longa distância no atletismo, e dos jamaicanos nas provas rápidas do mesmo esporte. Aliás, o que foi a prova de Usain Bolt em Pequim? O que dizer de Phelps na natação? O que era aquela giganta russa do vôlei, Gamova? Nos atormentou por quatro anos por aquela derrota trágica em Atenas-2004...
Fiquei emocionado com vários episódios de puro espírito olímpico, como a suíça que chegou ao final da maratona em 1984 se arrastando, o nadador da Guiné que quase se afogou, o campeão chinês Liu Xang que se machucou na largada em seu país e não pode ser campeão diante de sua gente em 2008. São muitas histórias...
Por outro lado, quando a gente vê os custos dessa olimpíada, percebe que o grande legado que esse jogos deixarão é uma mobilidade urbana equivocada que vai onerar o bolso dos trabalhadores que precisam do transporte público. É a privatização de áreas importantes da cidade, como a zona portuária, às custas do erário municipal e dos nossos IPTU's. Dessa forma, não há como esquecer essas coisas todas e ficar muito, mas muito triste mesmo.
Ainda mais quando vemos essa canalha aí do PMDB, essa quadrilha se locupletando disso tudo. E infelizmente não há como não dizer que, para minha tristeza, o PT foi parte disso na maior parte do tempo. Afinal, mesmo levando bola nas costas nas eleições municipais de 2008, o PT apoiou o PMDB de Paes e em 2012 fez o vice-prefeito. Aqui na cidade (e no estado também), O PT lamentavelmente optou em ser correia de transmissão dos interesses de gente da laia de Cabral, Pezão, Picciani e outros não menos palatáveis...
E como um dos sócios dessa festa de uns poucos temos (para não dizer coisa pior) Carlos Arthur Nuzman, que é o presidente do COB. Que transformou o vôlei brasileiro numa potência mundial às custas de falcatruas (como foi aquela confusão do patrocínio de décadas do Banco do Brasil) na CBV e depois no próprio COB. Que fracassou por incompetência e jogou fora a chance que tínhamos de, com as olimpíadas, nos transformarmos em potência olímpica como fizeram China e Austrália recentemente. Optou-se por investir no esporte de alto rendimento ao invés de se desenvolver uma política de disseminação da prática desportiva a partir da educação e das escolas. Na prática, as diferenças entre Nuzman e figuras nefastas do esporte como João Havelange, Marin e Ricardo Teixeira tendem a zero. Aliás, estas são críticas que nem minhas são, mas da própria crônica esportiva séria, que não participa desses jogos na condição de sócio, como fazem os canais de Tv aberta, em especial as organizações Globo. De maneira sórdida, o grupo da família Marinho fez desaparecer dos noticiários locais as mazelas da cidade e do estado, transmitindo para o Brasil todo a sensação de que a cidade virou uma enorme festa.
Agora, "somos todos campeões" e o Rio virou um paraíso de civilidade perdido nos trópicos. Quem está fora do eixo das competições desaparecerá da vida pública e se tornará invisível durante esses dias e talvez o fique assim até o final da campanha para prefeito. Para esses cariocas, não há festa, não há cidadania, nem ingressos para os jogos, a menos que sejam estudantes de escolas ocupadas que funcionarão durante os jogos por birra do governo estadual como público reserva para lotar ginásios e estádios cuja a procura de ingressos não foi satisfatória, que o digam as pessoas que foram desalojadas de suas casas por causa das obras do BRT e as famílias brutalmente removidas da Vila Autódromo e do Canal do Anil... Vi um filme, Olympia, que retrata esses aspectos escusos em nível municipal acerca dos jogos. Vale a pena ver. Aliás, hoje tem uma sessão as 20h no Cine Odeon. Leve o Bernini junto e você não vão se arrepender. Garanto.
Por isso tudo, confesso que fico com um gosto amargo na boca e com certa dor no peito quando penso que aquilo que poderia nossa apoteose esportiva, a cereja de nossa redenção como cidade tolerante e aberta a todos, democrática, acessível, se tornou oportunidade de uns poucos que se locupletam desse modelo de cidade-mercadoria. E que, infelizmente, os megaeventos ajudaram a consolidar no Rio de Janeiro, as custas paradoxalmente de valores como o congraçamento e a paz entre as pessoas, independente de sua crença, sua cor sua orientação sexual, sua religião... Como será a ressaca da cidade após nove anos vivendo em função destes momentos? Por quanto tempo pagaremos o preço da irresponsabilidade de nossos dirigentes, sejam eles políticos ou esportivos?
Apesar disso, como não torcer pelos atletas brasileiros? É justo desejar sua derrota em nome de tudo que já foi denunciado, debatido e escrito? Nem os presos políticos em 1970 conseguiram esse esforço estóico, ainda que tivessem tentado. E mesmo cientes que a ditadura manipularia (como bem o fez) a seu favor o sucesso daquela seleção extraordinária de futebol na Copa do México.
Nem digo pela seleção masculina de futebol (apesar dessa não ser a "selenike de milionários") ou do basquete (onde muitos também são milionários por jogaram na NBA), mas por atletas que carregam uma história de vitória na vida e que, por causa do esporte, se tornaram cidadãos, como Yane Marques e Sarah Menezes. Mulheres, nordestinas de origem humilde. Há dez anos viviam flertando com a miséria. E como não torcer pelo futebol feminino? Ele sofre com a falta de apoio da mesma CBF (casa bandida do futebol) que transformou a seleção masculina em mero produto comercial e lhe retira o outrora enorme capital simbólico que possuía. As moças comandadas por Marta & Cia que tão perto estiveram da glória dourada? Gente como os irmãos Falcão no boxe, medalhistas olímpicos em Londres-2012 que, graças a um heroico projeto social no Morro do Vidigal voltado para o boxe, não caíram na marginalidade. O esporte literalmente salvou suas vidas... Difícil não se emocionar com suas histórias e deixar de torcer pelos seus sucessos...
Assim, depois desse longo prólogo, venho, após muita angústia e dúvida, compartilhar com vocês a minha decisão de escrever textos menores que esse, prometo! – sobre as competições esportivas durante esses jogos.  Será da mesma forma como na Copa de 2014. Talvez fosse melhor ignorar esse jogos, mas não consigo. E se não consigo, é melhor escrever sobre porque me ajuda a racionalizar a emoção e a não me esquecer do altíssimo preço que todos nós pagaremos após passarem essas competições.
E não me cobrem coerência!


domingo, 31 de julho de 2016

a viabilidade do metrô da linha 4

Pesquisando informações referentes ao Metrô da Linha 4, cheguei no seguinte:

Custo Total da Obra: R$ 9,7 bilhões
Quantidade de Passageiros Transportados por dia: 300 mil

Hipótese 1: Considerando que a passagem do Metro seja de R$ 4,00 e não tenha custo operacional
Considerando que seriam 300.000 pessoas (sem considerar gratuidade), o metrô, por dia, arrecadaria:
Por dia: R$ 1,2 milhões
Por mês: R$ 36 milhões (considerando o mês com 30 dias)
Por ano: R$ 432 milhões (considerando o ano com 12 meses de 30 dias)

Tempo para retornar o investimento da Obra: 20,83 anos

Hipótese 2: Considerando que a passagem do Metro seja de R$ 4,00 e que somente 20% do preço da passagem retorne em lucro (80% para cobrir despesas operacionais)

Considerando que seriam 300.000 pessoas (sem considerar gratuidade), o metrô, por dia, lucraria:
Por dia: R$ 240.000
Por mês: R$ 7,2 milhões (considerando o mês com 30 dias)
Por ano: R$ 86,4 milhões (considerando o ano com 12 meses de 30 dias)

Tempo para retornar o investimento da Obra: 104,17 anos

O tempo de retorno do investimento superior 30 anos é considerado inviável para qualquer banco ou fundo de pensão. A obra do metrô da linha 4 deveria ter custado inicialmente cerca de R$ 5 bilhões (e ainda assim seria inviável tecnicamente, pois levaria mais de 50 anos para o retorno do investimento).

Vale o estudo, tirem suas conclusões....

quarta-feira, 27 de julho de 2016

malacanotas 2


malacanews de julho

Salve galera!
Estamos aqui mais uma vez com nossas malacanotas enquanto preparamos o texto maior de sempre e que deve ficar pro mês que vem.
Assuntos diversos, pontos-de-vista variados, fatos ocorridos no mês, etc. A eles.


Rezando a gente se entende

Ficamos sabendo que as religiões afrobrasileiras e o espiritismo não terão um representante no Centro Interreligioso montado na Vila Olímpica, a fim de atender atletas que participarão do evento.
De acordo com o Comitê Rio-16, a escolha das cinco religiões "oficiais" (cristianismo, islamismo, judaísmo, budismo e hinduísmo) se baseou em "resultados históricos de pesquisas feitas pelo Comitê Olímpico Internacional: essas seriam as doutrinas indicadas pela maioria dos atletas".
Entretanto, lideranças espíritas, umbandistas e candomblecistas refutam tal justificativa, alegando que esse era o exato momento em que se deveria haver a visibilidade desses credos, com o objetivo de se enfrentar a grave questão da intolerância religiosa, especialmente porque sabe-se que muitos não professam ou assumem sua fé justamente por temer o olhar preconceituoso dos demais. Ainda mais em se tratando de religiões que são "bem brasileiras" e que estão em constante perseguição por conta de suas práticas "não condizentes" com a normatividade religiosa estabelecida no Brasil.
Durante muitos anos, nos questionamos sobre o porquê de determinadas religiões serem perseguidas e outras nem tanto. Tudo que diz respeito aos três grandes troncos monoteístas gera polêmica, já notaram? E o curioso é que, embora vistos com reservas e parcimônia, outras religiões politeístas, panteístas, etc. já não tem tanta encheção de saco. Talvez pelo fato de que não tem uma representatividade comparável às demais. Ainda assim, é importante observar que não há coincidência alguma quando analisamos também os fenótipos. E que essa "condescendência" em torno de determinadas matizes gera (propositalmente, a nosso ver) essa confusão que estabelece os ódios.
Esses apontamentos explicam em parte por que as religiões do oriente asiático e parte do sudeste asiático (chamada de "orientais") não promovem tanta grita, tanta ojeriza, e em determinados casos, servem até mesmo para corroborar pensamentos de religiões do sudoeste asiático (as ditas mais "ocidentais"), justamente onde os três troncos que mencionamos fincaram suas bases. Tais ramificações religiosas não se constituem como "ameaças ao monoteísmo vigente", antes as "corroboram".
(O curioso é que a filosofia religiosa que conhecemos como "oriental" é anterior às noções de monoteísmo que temos, por exemplo, então em verdade as outras formas de teísmo é que devem ser vistas como "corroborações" – se é que isso seja realmente necessário.)
De qualquer modo, mesmo que pensemos dessa forma, ou seja, que cristianismo, judaísmo e islamismo têm suas estruturas firmes no Oriente Médio (obviamente não é o caso do hinduísmo e do budismo), costumamos dizer que a raiva dessa galerinha preconceituosa e discriminatória (justamente a que "banca" esse tipo de bloqueio a religiões como o comitê fez) é que por mais que se escamoteie seja como for, nunca se retirará da África o local onde essa criança nasceu.
Sim, é fato: se há um laço comum entre esses três pilares do monoteísmo (e podem falsificar a certidão de nascimento à vontade) é que a raiz de tudo que se aprende e lê nos livros considerados sagrados é africanaInegavelmente. E não tem normatividade eurocêntrica e helenista que mude isto.


Um herói improvável?

Na semana retrasada, um fragmento de reportagem nos chamou a atenção para algo que nos faz crer que nem tudo está perdido no mundo da bola. E ao mesmo tempo nos marcou profundamente tanto quanto qualquer golaço de placa ou defesa antológica.
Passando pelos portais de Internet, chegamos ao Esporte Interativo, onde uma criança chorava copiosamente. Era um menino de prováveis 9 anos, português. Ele estava visivelmente transtornado, indignado, porque não tinha conseguido ver de perto seu ídolo que joga na seleção portuguesa. Lembrando que Portugal tinha acabado de conquistar a Eurocopa em cima da anfitriã França.
Ficamos impressionadíssimos com aquele rosto desfigurado por tanta lágrima e tristeza raivosa. Foi muito chocante. Perguntado sobre por que estava naquele estado, ele respondeu de forma dramática: "Porque o Éder foi-se embora e eu tava aqui horas esperando... (...) Era meu jogador favorito, agora não é mais..." O repórter realçou o fato de que o atacante havia sido o herói do jogo ao fazer o gol da vitória, porém o jovem adepto sem meias-palavras disse que "isso não importava mais", já que queria ver o jogador naquele momento.
Sobre por que era fã de Éder (o repórter não teve muito tato ao perguntar isto a nosso ver), o garoto respondeu como qualquer criança responderia: "Eu sou fã dele, fã, eu não sei... Ele é meu herói!" E finalmente, como sempre pode piorar, o infeliz do repórter espezinha a dor da criança ao supor em forma de pergunta que o próprio jogador era culpado pelo que aconteceu. Resposta imediata: "Ó pá, eu não sei, mas eu estava aqui pra tirar fotos o dia inteiro, (...) e assinar um papel para milhares de pessoas... Isso é ridículo...". Cortaram aí a transmissão.
Bem, tivemos de rever esse lance pra poder entender melhor o que de fato estava acontecendo. E o que encontramos foi um vídeo no YouTube. Era na verdade um vídeo replicado pelo EI, a reportagem era do Correio da Manhã, um jornalístico português dos mais polêmicos por lá, pelo que entendemos (teria sido deles o microfone que Cristiano Ronaldo, um dos mais perseguidos negativamente por eles, arremessara pra longe). Éder estava ali pelo local, mas o repórter dava a entender que ele não teria atendido a todos no local (como se tivesse chegado, ficado dez segundos e ido embora). Havia um homem xingando horrores, cheio de raiva, certamente o pai do menino. Atitude considerada lamentável pelo pessoal do EI, pois esse cidadão, em vez de tentar atenuar a dor da criança, ficou desfilando impropérios, aumentando ainda mais o inconformismo do garoto. Tão desastroso quanto o repórter, sem nenhum tato pra lidar com o sofrimento do petiz, que só queria um minuto com seu grande herói.
Então, vamos por partes.
O mencionado Éder foi o autor do gol que deu a inédita Eurocopa a Portugal. Porém não foi tão simples. CR7 saiu de campo, substituído por lesão logo no início, mas quem entrou foi Ricardo Quaresma. Ou seja, nem opção direta Éder era. Este só pôs os pés no gramado no segundo tempo. E na prorrogação, ele se consagrou.
Nascido em Guiné-Bissau, o atacante de 28 anos joga no Lille, time francês (que ironia do destino...), e nunca foi um jogador de muito destaque ou mídia, se comparado a outros futebolistas não só na própria França, mas também numa conjuntura de futebol português. Ao contrário, estava sendo alvo de críticas pesadas entre os patrícios. E eis que ele "se redime" com o gol histórico. É natural que após algo assim um jogador fique conhecido e ganhe muita visibilidade.
Porém talvez não fosse assim para aquele menino. Pois pelo que entendemos, ele não é apenas fã por causa daquele gol e sim porque acompanha Éder de perto. A forma como ele falou do camisa 9 luso foi muito forte. Imaginamos ele acompanhando os jogos do Lille pelo campeonato francês e também vendo seu selecionado em campo, certamente torcendo para que o atacante jogasse, e a felicidade em vê-lo em campo justamente naquela final. Julgamos impossível mensurar o êxtase de ver seu ídolo anotar no placar o tento que entrou pra história.
O mundo do futebol realmente é capaz de coisas fascinantes. São fatos como os narrados que nos fazem ter a certeza de que é preciso que se tenha um olhar melhor para o futebol como um todo. Costumamos escrever muito sobre o que acontece no Brasil, mas quando tomamos conhecimento do que rola mundo afora, temos a certeza de que essa paixão pelo esporte bretão não conhece nacionalidades. Atinge a todos da mesma maneira.
Quem poderia imaginar que entre tantas crianças que acompanham futebol estivesse ali alguém que demonstrasse tanto carinho por um jogador praticamente desconhecido? Pois se fosse a estrela da companhia não seria nada espantoso, ou se fosse pelo menos futebolistas como Quaresma, João MoutinhoNani, que são mais conhecidos... E, no entanto, Éder, pra além da façanha, é o preferido daquele lacrimejante e anônimo menino! Que loucura, não? Pois bem, essa é a loucura que move uma paixão chamada futebol. Paixão que infelizmente tem sido vilipendiada pelo mundo dos negócios que conhece muito a grana, mas não sabe o que é linha de fundo. E nem procura saber...
E assim, finalizamos esse texto esperando que Éder tenha tomado conhecimento desse fato e que possam promover um encontro dele com seu fã-mirim para que este deixe a revolta de lado e se emocione em estar diante daquele que pode ter sido um herói improvável para o mundo inteiro, mas que pra ele será sempre eterno.

  
Docentes decentes

Já tinha um tempo que queríamos falar sobre a greve dos professores da rede estadual do Rio de Janeiro, mas não nos sentíamos capazes de dissertar mais à vontade, embora tenhamos recebido centenas de informes durantes esses cinco meses de paralisação, todos diretamente de amigos professores. O lance é que nós desejávamos ter ido a uma dessas inúmeras assembléias da categoria a fim de termos a noção exata do clima in loco, o que infelizmente não foi possível por questões particulares. Ainda assim, gostaríamos de redigir umas linhas sobre o fato, a fim de não passar totalmente em branco (embora tenhamos tocado no assunto em outras malacas com citações transviadas, como aconteceu no ensaio do mês passado).
Soubemos pelos amigos de sempre da decisão em plenária de uma pausa na greve. A votação foi apertada: Suspensão: 792; Continuação: 503; Abstenção: 38. A quadra da escola de samba São Clemente foi o palco da maioria das assembléias do corpo docente estadual e mais uma vez ontem foi debatida a questão do prolongamento da manifestação em prol de melhores condições de ensino e trabalho. Comentava-se "à boca pequena" que a tendência era isto acontecer, uma vez que o desgoverno estadual já tinha jogado muito duro contra a moçada, com os cortes e outras admoestações advindas desta postura dos professores, e que muitos já sinalizavam voltar às atividades por motivos diversos, fora o desgaste natural pelo tempo transcorrido.
Ainda que não tenha sido "a maior paralisação de todas" (alguns mais antigos se recordam de algo similar no desgoverno Moreira Franco), sem sombra de dúvidas há anos não se promovia um ato como este, que ao mesmo tempo em que foi extenso teve adesão firme da categoria. Observem que a própria decisão foi bastante "equilibrada" (cerca de 59% quis suspender a greve) e tal número nos mostra que os professores em geral não se dobraram facilmente em relação a recuos. Segundo alguns amigos, "se em termos financeiros não houve muitos avanços, em termos acadêmicos as coisas deram uma melhorada, o que é um grande alento para muitos".
Sempre recebemos informes da galera e muitos depoimentos. E para nós, o símbolo de tudo que se passou com a categoria docente foi uma carta duma professora que aderiu ao movimento, numa franca resposta àqueles que não estavam conseguindo segurar a marimba e principalmente aos que, de forma inacreditável, criam que tudo aquilo era "pura perda de tempo". Além, claro, da infame e sempre presente pelegada.
Ela conta que estava passando por diversas dificuldades: óbito na família depois de muita luta no tratamento do enfermo; falta de condições financeiras em casa, já se refletindo nos estudos da filha; a própria saúde muito fragilizada; e poucas esperanças num aceno positivo por parte do desgoverno. Ainda assim, ela se mantinha lá firme e forte, estimulando novas adesões, esfregando na cara da pelegada que era mais fácil pensar no próprio umbigo, e apelando para que os colegas não desistissem tão facilmente da trincheira.
E o mais impressionante nessa carta era o tom de entrega que não deixava dúvidas: se fosse o caso de morrer ali, junto com os colegas, que assim fosse, pois pelo menos ela estava entregando sua vida a uma causa justa. Ela entendia perfeitamente o fato de que muitos ali, marinheiros de primeira viagem (ou professores de primeira aula...) não estavam habituados a fazer greve ou de passar tanto tempo numa. E justamente por isso ela se sentia na "obrigação" de fazer esse trabalho de formiguinha junto aos colegas para que o foco não fosse perdido.
O impacto das palavras daquela professora (cujo nome agora infelizmente não nos recordamos, apagamos acidentalmente o texto de nosso celular) nos sensibilizou sobremaneira. A ponto de termos espalhado tal testemunho em nossos grupos de zazap. Fazia tempo que não líamos algo tão contundente e humano em termos de conscientização. E não se tratava de corrente de Internet: a professora existe, tem nome e sobrenome, confirmou cada palavra, e é tão real quanto tantos e tantos outros profissionais da educação que têm de ter mais de uma matrícula e fazer das tripas coração para sobreviver e formar seres humanos que podem vir a ser professores também.
E a mais dramática de todas essas constatações é que toda essa luta teve outros componentes como a propaganda difamatória em cima da categoria feita pelo maldito PIG, estimulando o descrédito e a desmoralização da categoria perante a população. Parte dela bovinamente acreditou nos telejornais e portais da globbels e se prestou a papéis realmente asquerosos, como aplaudir o Estado transformar policiais em jagunços para acabar com os atos.
A própria questão da ocupação das escolas pelos alunos, em concomitância com a greve e com endosso a esta, também foi tratada de uma forma tão biltre, mesquinha e pequena (e novamente com PAIS DE ALUNOS aplaudindo a polícia fazendo papel de capitão-do-mato pra cima dos discentes!!!), que nem vale a pena comentar mais...
E sem contar também com a omissão ainda mais lamentável dos demais colegas servidores do Estado, muitos tão humilhados quanto os professores. Nem mesmo por solidariedade estatutária foram capazes de um gesto de apoio ainda que velado. Ao contrário, endossaram as atitudes perniciosas do mesmo desgoverno que só não passou o cerol fino em geral porque esses mesmos setores são praticamente "imexíveis". Setores estes que de forma extremamente cômoda, em sua zona de total conforto, fecharam os olhos para a dura realidade do funcionalismo público como se não corressem riscos. Coitados, o tempo mostrou que estão na mesma canoa furada, masssssss... deixemos esses tolos pra lá, voltemos a quem merece nosso respeito.
Por conta de tudo isso, apesar de tudo que se passou, queremos aqui parabenizar e aplaudir de pé com todo louvor professoras e professores que se dispuseram a lutar pelos seus direitos com toda bravura e dignidade, contra tudo e contra todos:

1.     Enfrentando, confrontando e afrontando o status quo vigente e amaldiçoado, em prol de sua própria sobrevivência, já que não trabalham de graça como voluntários, tem contas a pagar e lazer pra abstrair a mente como qualquer trabalhador (lembremo-nos que "a gente não quer só comida");
2.     Tentando conscientizar a população de que não são inimigos e sim que o inimigo é outro (os alunos das ocupações entenderam isto com muita facilidade), e assim mostrar a toda a uma coletividade de que são as verdadeiras e inequívocas vítimas desse sistema perverso porque desigual a quem são submetidos todos os anos;
3.     E, na medida do possível, calando a voz pelega, amiga do desgoverno, inimiga da categoria, pessoas sem nenhum tipo de comprometimento nem mesmo consigo próprio, quanto mais com a educação, já tão vilipendiada com tantas decisões absurdas e ameaças tão graves quanto a do tal projétil "escola sem partido". Sim, um projétil, porque foi feito para ser lançado como uma bala de fuzil no quase moribundo ensino público, para matá-lo de vez.

Aos nossos mestres, educadores e demais profissionais de educação o nosso saravá!!!

E pra fechar...

EM TEMPO!!! Pois entendedores entenderão:
Só aceita arrego quem é pelego; e quem é pelego jamais poderá ter sossego!!!

Salam'maleik, moçada!!!